Ciência e tecnologia sempre foram importantes em qualquer sociedade. Constituem um dos pilares do processo de geração de riquezas e de melhoria da qualidade de vida. De um determinado ponto de vista, a história das sociedades pode ser contada pelas transformações que ocorrem nessa área.
Como grandes ondas, em certos momentos dessa história, o paradigma científico e tecnológico apresenta grandes e radicais mudanças, que acabam por dar uma nova forma ao modo econômico e social de produzir e viver. Estamos vivendo um desses momentos. Principalmente a partir do final dos anos 80, as inovações das tecnologias de informação e do conhecimento vêm criando um novo paradigma de ciência e tecnologia.
A disseminação do uso da informática, da telemática, da Internet, do e-mail, da fibra ótica, da TV a cabo e dos sistemas on line estão transformando os processos de produção e gestão das empresas, facilitando e reduzindo os custos de transportes e de comunicação, potencializando o fluxo de informações, alterando a natureza e a importância da produção e consumo dos serviços, expandindo o comércio internacional, aumentando o fluxo de capitais (especialmente financeiro) e de pessoas e, portanto, acelerando a integração mundial. É isso o que vem sendo chamado atualmente de globalização.
Nesses momentos, as nações e as suas diversas regiões se defrontam com uma questão crucial. Como pegar essa nova onda da história? O fazer para que as suas economias e sociedades se adaptem a essas novas regras do jogo?
O Brasil sempre enfrentou essa questão de forma incompleta, tanto nos diversos ramos de sua economia, como no conjunto de suas regiões, ou seja, nunca pegou plenamente as diversas ondas de ciência e tecnologia da história.
Nunca conseguimos constituir integralmente dentro da sociedade brasileira um núcleo provedor das novas ciências e tecnologias de forma que fosse possível disseminar continuamente seus efeitos para a economia e a sociedade como um todo. Essa é uma das razões de porque a nossa sociedade é tão heterogênea econômica e socialmente.
No contexto da atual globalização dos processos produtivos e financeiros, e com essa perspectiva que novamente devem ser envidados esforços para atualizar e ampliar o escopo do incipiente núcleo de ciência e tecnologia da sociedade brasileira.
No âmbito federal, a iniciativa de constituição dos fundos para investimentos em ciência e tecnologia nas áreas de informática, telecomunicações, espacial, recursos hídricos, energia elétrica, petróleo, mineração e transportes deve ser valorizada, principalmente no contexto atual de fortes restrições fiscais.
A constituição desses fundos envolve também uma intenção muito importante: a de promover uma maior integração entre as iniciativas das universidades e das empresas na área de ciência e tecnologia.
No Paraná, o momento é muito oportuno. Os grandes investimentos que vêm sendo realizados no Estado estão transformando a sua economia e a sua sociedade. De forma a complementar essas transformações, ampliar o seu potencial de dinamismo endógeno e torná-las mais efetivas e sustentadas econômica e socialmente é de fundamental importância a ênfase nas questões relacionadas à àrea de ciência e tecnologia.
Esses esforcos não devem ser cobrados somente do governo do Estado, das universidades ou da inciativa privada. Já se foi o tempo em que inciativas isoladas nessa área produziam resultados. A experiência de outros países vem revelando que, além de boas intenções e recursos, o desenvolvimento da área de ciência e tecnologia exige a conformação de networks, ou redes específicas.
Ou seja, torna-se necessária a articulação de esforços de instituições dos setores público e privado, centrados nessa perspectiva. Cabe a essa rede definir uma estratégia de ciência e tecnologia, especificar os projetos relevantes e estabelecer responsabilidades institucionais específicas.
Nessa rede, no Paraná, é de fundamental importância a participação de secretarias estaduais pertinentes (em particular, a de Ciência e Tecnologia), do Tecpar, do Cefet, do IBQP-PR, das universidades (UFPR, PUC, etc.), da Fiep, do CITS, dentre outras instituições.
No Paraná, já existem algumas inciativas nesse sentido. O Programa Paraná Autotech é uma delas, sob a coordenação do Tecpar. Na entrada do século, torna-se de fundamental importância ampliá-las e reforçá-las.
Esse é um grande desafio. O desenho do Paraná no fututo vai depender da nossa competência em desenvolver, com eficácia, redes na área de ciência e tecnologia.
- Mariano de Matos Macedo é economista e gerente da unidade Paraná do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP)

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