REDE DE CONTATOS - Boca a boca divulga o esperanto
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2009
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba Quando alguém menciona o esperanto, a associação imediata que muitos leigos fazem pode ser resumida no famoso verso da música Miséria, dos Titãs: Ninguém sabe falar esperanto!. Pois o tal verso não poderia estar mais errado. Muitas pessoas falam o idioma, planejado e proposto pelo médico polonês Lázaro Luís Zamenhof no final do século XIX com o objetivo de ser uma língua internacional, que facilitasse a comunicação entre povos de culturas diferentes.
A internet deu um novo impulso ao esperanto. A rede está cheia de conteúdos sobre o idioma: publicações, endereços de associações que divulgam a língua, tradutores on-line, informações sobre eventos relacionados ao tema e até mesmo cursos completos.
Ivan Eidt Colling, professor do curso de esperanto do Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que hoje é difícil mensurar a quantia de pessoas que falam o idioma em todo o mundo. Já vi estatísticas que apontam que a população mundial que sabe falar esperanto estaria entre 1 milhão e 10 milhões de pessoas. Em Curitiba, certa vez vi um número que informava que havia aproximadamente 200 falantes de esperanto na cidade. Hoje, eu não sei, afirma Colling.
O professor argumenta que esse é um dado difícil de apurar, pois muita gente aprende esperanto por conta própria. Há muitos cursos na internet e muitas pessoas aprendem o idioma sozinhas. Se você estudar alemão na internet, dificilmente vai estabelecer uma conversação satisfatória, ao menos em um primeiro momento. Já o esperanto é bem mais fácil de aprender, justifica.
Segundo Colling, a estrutura do idioma proporciona essa facilidade. Em primeiro lugar, o esperanto tem um alfabeto fonético. Cada letra tem um som, não varia, ao contrário do português, por exemplo. Além disso, a gramática é regular: quando você aprende a conjugar um verbo, aprende a conjugar todos. Em terceiro lugar, o esperanto tem uma flexibilidade, uma estrutura de prefixos e sufixos que permite montar palavras, explica.
Por fim, faz uso de vocabulário internacional. As palavras são reconhecíveis por pessoas que falam idiomas ocidentais. No léxico do esperanto, 70% das palavras têm origem latina, 20% têm origem anglo-germânica e as demais vêm de outras origens. Por outro lado, o esperanto atrai falantes de idiomas orientais porque sua estrutura tem estilo oriental, uma flexibilidade que se assemelha ao chinês, por exemplo, afirma o professor.
Ariadne Mara Figueiró, presidente da Associação Paranaense de Esperanto, afirma que essa característica familiar e a ideia de igualdade despertam o interesse. O esperanto é a língua-ponte. Tanto que se fala: Para cada povo, uma língua. Para todos, esperanto, diz Ariadne, descrevendo que o contexto em que Zamenhof criou o idioma contribuiu para o caráter internacional da
língua.
Zamenhof era poliglota. Na Polônia, ele estava próximo tanto do Ocidente quanto do Oriente. Ele tinha a ideia de fazer um idioma que fosse o mais internacional possível, explica.
A presidente relata que o senso de comunidade é grande entre os falantes de esperanto. Muitas famílias se conhecem através do esperanto e até acontecem situações de crianças que aprendem o idioma como sua língua materna. Em todo o mundo, há muitos esperantistas que colocam a sua casa à disposição para falantes de esperanto de outros países. Então, ocorrem muitos casos de pessoas que viajam para locais cuja língua oficial desconhecem, e são recepcionadas por esperantistas, conta Ariadne.


