Recursos de dramaturgia para desbloquear os tímidos
No curso da atriz e diretora Marina Machado, ministrado no teatro que leva seu nome, recursos audiovisuais e de dramaturgia são usados para ''desbloquear'' a classe. Em cima do palco, diante dos colegas e de uma câmera de vídeo, os alunos são instigados pela professora. Falam de si, opinam sobre figuras da política e contam uma história de amor qualquer. Depois, podem assistir à fita em casa, para se analisar.
''Meu curso não é quadrado, porque a vida também não é'', afirma Marina. Para ela, a oratória moderna deve envolver elementos de outras áreas (como a Psicologia e a Programação Neurolinguística) e estimular a criatividade e o senso crítico. ''Tudo para que a pessoa encontre sua própria voz'', diz.
Ainda assim, é importante que o aluno tenha a consciência de que, lá no fundo, a tensão na hora de falar em público sempre vai permanecer. ''Você não perde o medo, mas pode controlá-lo'', garante o piscólogo e professor Flávio Pereira, da escola Cérebro & Comunicação. ''Artistas como a Hebe Camargo, o Jô Soares e a Ivete Sangalo costumam contar em entrevistas que até hoje ficam tensos antes de entrar em cena'', exemplifica.
O segredo do bem dizer, segundo o professor, está na fase anterior à apresentação. E pode ser resumido em três passos: planejar o que vai ser dito, preparar o material e ensaiar bastante.
O assistente comercial Alexandre Augusto, 36 anos, fez um curso no início do ano e concorda com Pereira. ''Valeu a pena para aprender técnicas de como se portar em público. Você revê sua postura, seus gestos e passa a se sentir mais seguro. Mas a inibição continua a mesma'', afirma. Ao contrário do que diz o ditado, falar, definitivamente, não é fácil. (O.G.)





