Recuperar credibilidade do País é desafio para 2015
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segunda-feira, 02 de junho de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Recuperar a credibilidade internacional do Brasil e fazer o País voltar a crescer acima de 3% ao ano. Esses são os dois grandes desafios de quem vencer a eleição presidencial de outubro, seja a presidente Dilma Rousseff ou qualquer um de seus adversários. A opinião é do economista e professor da Fundação Dom Cabral, Paulo de Tarso Almeida Paiva.
Ex-presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (2007) e ex-ministro de Planejamento e Orçamento (1998/99), ele é o palestrante convidado para a primeira edição do EncontrosFolha, que será realizado nesta quinta-feira, das 8 horas às 12 horas, no Hotel Blue Tree. O tema do evento será Desafios para o Brasil para 2015 Novo cenário para Londrina e Paraná.
"Depois de 14 anos (1995 a 2008), o Brasil rompeu o tripé (formado por controle da inflação, superavit primário e câmbio flutuante) que suportou a estabilidade econômica. O que vivemos hoje é reflexo dessa ruptura", afirma o economista, referindo-se às medidas tomadas pelo ex-presidente Lula, nos dois últimos anos de seu governo. Para tentar proteger o País da crise, Lula aumentou os gastos públicos e afrouxou o cerco contra a inflação. Sua sucessora manteve o modelo.
Paiva lembra que o superavit primário (economia que o governo faz para pagar juros da dívida) caiu de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,9%, o que prejudica a imagem externa do Brasil. "Não devemos esquecer que, em março, a agência de classificação de risco de crédito Standard & Poor´s rebaixou a nota do Brasil de BBB para BBB-", ressalta. Para o professor da FDC, é preciso retomar o tripé econômico e recuperar a credibilidade internacional.
Além disso, o presidente eleito terá de desmontar a "armadilha da renda média". Ele se refere a um conceito - em voga atualmente entre economistas - para caracterizar países emergentes quando entram em período de estagnação, após terem completado a "decolagem". Para fugir dessa maldição, ressalta o economista, o Brasil tem de investir mais e aumentar sua competitividade.
"Nossa taxa de investimento está em 18% do PIB. É pouquíssimo", declara. A promessa de Dilma era, até o fim do mandato, elevar esse índice para 24%. Paiva ressalta a colocação do Brasil no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial. No ano passado, o País ficou em 56º lugar, atrás da África do Sul (53º) e bem depois da China (29º). "Temos uma infraestrutura precária, uma mão de obra com qualificação relativamente baixa, e precisamos superar essa situação", declara.
Segundo o economista, todos os candidatos a presidente sabem o que fazer para tirar o País da estagnação. "O difícil é saber como fazer", ressalta.



