Recuperar a criança, sim, mas também orientar a mãe
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Marcos Zanatta 
A Pastoral da Criança de Maringá foi pioneira em formar uma associação para dar estrutura ao trabalho desenvolvido pelos voluntários. Hoje a entidade atua em 300 comunidades de 26 municípios e já atendeu mais de 20 mil crianças desnutridas. A Associação dos Amigos da Pastoral da Criança (Apac) é um exemplo que está sendo levado para todos os locais onde os voluntários atuam. O objetivo da entidade é manter uma estrutura para atender os casos excepcionais, e manter um grupo de apoio para todo trabalho desenvolvido pela pastoral, diz a coordenadora da Apac, Iani Valério da Silva.
Pelo menos 95% dos casos de desnutrição são resolvidos na própria comunidade, com apoio de pessoal das paróquias locais. Uma casa construída pela Apac em Maringá abriga os 5% restantes, quase sempre casos de desnutrição crônica. Quando uma criança chega aqui a gente tem certeza que ela será recuperada, diz Iani, voluntária da pastoral há mais de 10 anos. Além de recuperar a criança, a Apac tem um dever de orientar a mãe, que acompanha todo o trabalho e fica na casa o tempo suficiente para levar o filho com saúde.
A associação também serve para treinar e reciclar os voluntários. São mais de 1,2 mil pessoas envolvidas no trabalho de levar saúde às crianças. Iani conta que conquistar uma mãe não é tarefa fácil. A gente não pode chegar falando que as coisas dentro da casa dela estão erradas. É preciso mostrar para a mãe como se procede para que as crianças tenham saúde, explica. O resultado é expressivo. Ela diz que a mortalidade infantil, que chegava a 16% antes da Apac, hoje sofreu uma redução pela metade.
Quando a criança é levada para a casa da Apac, a mãe a acompanha. Em algumas épocas o local chega a abrigar 40 pessoas.


