Recoop vai injetar R$ 4 bilhões para sanear cooperativas
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sexta-feira, 03 de julho de 1998
Vânia Casado 
Descapitalizadas e em dificuldade desde o advento do Plano Real, há quatro anos, as cooperativas erguem as mãos para o céu com um socorro aprovado em junho pelo governo federal. Pelo Programa de Revitalização das Cooperativas (Recoop), o sistema vai receber R$ 4 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão serão investidos em 40 unidades paranaenses que tiveram projetos aprovados para o financiamento.
O Recoop atende a uma reivindicação do setor, que não havia sido contemplado pela securitização de dívidas e por outras medidas de apoio. As dificuldades foram agravadas com a queda nos preços dos produtos agrícolas e a insuficiência de crédito entre 1994 e 1995. As cooperativas, tentando ajudar os cooperados, fizeram investimentos e financiaram os sócios na aquisição de insumos, mas estes não conseguiram pagar seus compromissos, criando um gravre quadro no sistema.
O Recoop ainda não dispôs as taxas de juros dos empréstimos. A Ocepar acredita que eles não devem ser superiores aos do crédito rural. No total, foram apresentados 650 cartas-consulta de cooperativas de todo o País e aprovadas 439. Do Paraná, de 50 foram aprovadas 40.
Com os recursos, as cooperativas brasileira vão aplicar R$ 1,8 bilhão para quitar dívidas com bancos e R$ 1,1 bilhão em novos investimentos. As paranaenses vão utilizar R$ 750 milhões para pagar bancos, fornecedores e tributos atrasados, e R$ 350 milhões em capital de giro e investimentos.
Com esse aporte de recursos, as cooperativas brasileiras poderão aumentar as exportações agroindustriais em 40% até 1999, que devem passar de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,68 bilhão. Enquanto isso, o faturamento delas deverá crescer US$ 3 bilhões, passando de US$ 17 bilhões, para US$ 20 bilhões, segundo cálculos do presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.
As 439 cooperativas que tiveram seus projetos aprovados atendem 619 mil cooperados, empregam 88 mil pessoas, abrangendo 3,5 milhões de pessoas. O Recoop vai possibilitar crescimento de 43 mil novos postos de trabalho no país e 16 mil no Paraná.
Segundo Koslovski, as cooperativas poderão alongar o perfil das dívidas, inclusive de tributos, recompor o capital de giro e investir. Dentro desse processo, o programa exige cinco projetos: de viabilidade econômica; de capitalização, em que deverá ser estabelecido percentual a ser descontado do produtor e qual a participação do cooperado na capitalização do projeto.
Outro projeto se refere ao processo de profissionalização da administração, tanto dos dirigentes como dos funcionários. Serão analisados e treinados os cooperados para que eles assumam a sociedade como um negócio próprio. Para isso, um outro projeto prevê a profissionalização dos cooperados, para que eles possam adotar novas tecnologias. Por fim deve ser apresentado o projeto de controle e acompanhamento da cooperativa. Só com a aprovação de todos os projetos, as cooperativas terão os financiamentos aprovados. A Ocepar calcula que até setembro começarão a ser liberados os primeiros recursos.


