A opção de descendentes árabes pelo Brasil forma uma trinca quase como os ideais de ''Liberdade, Igualdade e Fraternidade'' pregados pela Revolução Francesa de 1789. No Brasil, porém, o atrativo é democracia, liberdade e receptividade. É o que explica o comerciante aposentado Fouad Omairi, de 67 anos. Ele vive no Brasil desde de 1956, quando foi o eleito entre os irmãos para viver no País com um tio.
Parentes mais antigos já estavam na nova terra na década de 1920. ''Eles criaram raízes fortes com Brasil e começaram a trazer parentes para cá'', diz. O exemplo de Fouad é comum a muitas famílias libanesas. A Capital paranaense é seu lar desde que chegou. ''A cara de Curitiba, quando cheguei, era muito parecida com a de Beirute na época. Hoje Curitiba é muito mais desenvolvida'', compara.
Mesmo dizendo-se satisfeito com o Brasil, o libanês relembra que no início a adaptação foi difícil. ''Era outra cultura, outra língua, outra religião. Era o oposto. No começo, pensei em voltar'', revela. Com o tempo, foi se adaptando a ponto de dizer que nunca mais cogitou um retorno. ''Sempre viajo para lá, mas nunca mais pensei em voltar em definitivo. Criei raízes aqui, fiz minha família aqui'', repete ele, que se casou no Brasil e é pai de quatro filhos brasileiros - todos praticantes dos costumes árabes.
Fouad já voltou 20 vezes para o Líbano e teve a oportunidade de ir viver em países como Estados Unidos e Canadá. Ainda assim, preferiu o Brasil. ''Aqui o povo não é xenófobo. Não há lugar nenhum no mundo assim, sem discriminação. Para os brasileiros, não somos árabes, somos seres humanos'', conclui.
Said Jaouhari, de 81 anos, também libanês, concorda: a democracia e o povo pacífico foi o maior atrativo para que ele criasse seus quatro filhos e três netos no Brasil. Ele desembarcou no Porto de Santos em 24 de março de 1952 junto com um amigo. No dia 18 de abril estava em Curitiba.
Decidiu embarcar para o Brasil depois de receber muitas cartas de amigos que viviam aqui. ''Eu vou'', disse na época. No início, vendia frutas de porta em porta em Curitiba. ''Depois de 20 dias, já entendendo um pouco o idioma'', relembra. Assim começou a vida no Brasil, onde fez uma fortuna que não faria em lugar nenhum. ''Minha maior riqueza é a família que fiz aqui'', diz. Quem vai duvidar? (T.A.)

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