Cada pierogi servido na barraca do polonês Miroslaw Borek é feito pelas mãos da esposa, Romana, e da filha, Patrycja. A produção familiar que começou há 20 anos, ganhou cada vez mais fregueses. Além das feiras gastronômicas de Curitiba, o ''Pierogi do Miro'' é encomendado para grandes festas e eventos da cidade. A produção diária que começou com 200 unidades de pierogi, um pastelzinho cozido semelhante ao raviolli, hoje chega a 2,5 mil.
O prato tradicional da Polônia tem a massa feita de trigo e ovos e recheio de batata e ricota, chucrute ou carne. Por cima vai o molho, que pode ser bechamel, de champignon ou calabresa e linguiça. ''O pierogi é difícil de ser preparado, não é todo mundo que consegue fazer os dentinhos, com a massa bem fininha e tem que ser fresquinho. A minha mãe aprendeu na Polônia com a minha avó e foi ela quem me ensinou. Desde criança ajudo meus pais, por isso aprendi os segredos'', conta Patrycja Borek, de 26 anos, que veio ao Brasil ainda na barriga da mãe.
''É uma refeição leve. Aqui fizemos adequações para o público, mas sem perder o foco da tradição do prato. Tem gente que na hora do almoço quer comer só com nata ou com queijo ralado'', conta ela, lembrando que os descendentes de poloneses ajudaram a disseminar o prato em Curitiba. ''Na Polônia é comum as famílias fazerem as pierogadas, porque é trabalhoso mesmo, só vale a pena fazer se for em grande quantidade'', informa a moça, que faz curso de chef de cozinha.
A família Borek, que já teve a Casa do Pierogi, na Vicente Machado, ajudou a tornar o prato ainda mais famoso na cidade depois que dona Romana aceitou o convite para cozinhar nos dois restaurantes da Sociedade União Juventus. ''Aqui em Curitiba consideram o pierogi um prato bastante requintado, então atendemos vários casamentos e fizemos até o pierogi doce, recheado com ameixa e morango e bem pequeno para coquetel'', recorda Patrycja, dizendo que a família cozinhou para o casamento do ex-jogador do Atlético Paranaense Mariusz Piekarski, em 1996.
''O curitibano é receptivo, exigente e reconhece o produto de qualidade. Sou apaixonada por esta cidade exatamente por esta troca cultural que existe. Imagine que vem japonês na minha barraca comer pierogi. Todas as etnias são respeitadas e valorizadas. Cada uma tem o seu cantinho na cidade, como os Bosques do Alemão e do Papa, as praças da Ucrânia e do Japão'', elogia ela. (F.G.)

mockup