Rebanho auxilia pesquisas sobre inseminação artificial
Há cerca de um ano, a Prefeitura de Curitiba firmou parceria com o departamento de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) para desenvolver um projeto de controle de verminoses nas ovelhas dos parques. O projeto ''Método Famacha'' estuda o parasita Haemonchus contortes causador dos maiores problemas dos rebanhos de ovinos, dentre eles a anemia. A proposta é que, a médio e a longo prazo, possa ser feita a seleção das ovelhas mais resistentes às verminoses.
De acordo com Ana Sílvia Passerino, outras verminoses são tratadas assim que detectadas no animal e de forma isolada. A cada 15 dias, os alunos da PUC-PR e a veterinária analisam as fezes dos animais e, todo mês, é coletado sangue para se fazer exame. O diagnóstico ainda é resultado da leitura da mucosa dos olhos do bichos, para constatar o nível de anemia. ''Já começamos também a fazer a cultura das larvas das fezes das ovelhas. Nossas pesquisas também poderão beneficiar os criadores de ovinos. Queremos, inclusive, trabalhar com inseminação artificial'', contou Ana Sílvia.
A veterinária informa que a população ideal de ovinos nos parques seria de 50 a 60 animais, já que a área disponível para pasto nos parques é restrita. As ovelhas, que vivem em média 12 anos, são tosquiadas apenas no mês de outubro ou de novembro, são identificadas com um brinco numerado e recebem atendimento 24 horas por dia e até nos fins de semana, sempre que preciso. Os animais participam do projeto ''Método Famacha'' depois do segundo mês de vida, momento que são desmamados. Quando passam a se alimentar do pasto é que existe o risco maior de contaminação por verminoses.
Se não estão soltas pelos parques, os ovelhas ficam na área reservada para manejo ou mesmo abrigadas no aprisco.''Há quem pense que as ovelhas estão aqui só para gerar gastos. Mas não é o caso. Elas participam de projetos de pesquisas científicas, permitem que universitários pratiquem seus conhecimentos, compõem os cenários bucólicos dos parques e o gasto que geram é basicamente com ração. Sem falar na parte educativa, já que muitas crianças das cidades não têm oportunidade de ver de perto animais domésticos como vaca, cavalo e ovelha'', destacou a veterinária. (F.G.)





