De origem humilde, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, veio de Monte Sião (MG) com a família para Marumbi, aos 3 anos e, aos 12, mudou-se para Jandaia do Sul, onde iniciou sua vida profissional. Foi também nessa cidade que passou toda sua juventude, ingressou na vida política e onde nasceu sua obstinada paixão pela comunicação.
Nos anos 70, Ratinho, filho do pedreiro Domingos Massa e da lavadeira Maria Talarico Massa, começou a se virar cedo. O pai queria que fosse pedreiro como ele, mas o filho rejeitou. Fez de tudo um pouco. Foi feirante, entregador de carne e até preparador de cadáver em funerária.
Mas seu futuro profissional começou a nascer quando, sem nenhuma aptidão para esses serviços, criou um grupo de teatro, com os amigos Tadeu Costa, Donizete Adauto e Zé Galinha. O fascínio pela interpretação e apresentações em público virou a cabeça de Ratinho que, aos 20 anos percorria diversas cidades do Norte e Oeste do Estado com o Grupo de Teatro CRM, que depois virou Grupo Teatral Joracy Camargo, homenageando um dos maiores diretores de teatro da época no País.
Junto com os amigos escreveu 10 peças, todas abordando temas populares. A última foi ‘‘Ladrão de Galinha’’, escrita dentro de uma Kombi, no trajeto de Jandaia a Centenário do Sul. Daí para o rádio e depois para a televisão foi consequência, mas sempre com muita determinação.
Ainda na região, criou e tentou apresentar na TV Tibagi (na época retransmissora da Rede Globo) o ‘‘Circo do Ratinho’’, mas nem foi levado a sério pelo diretor Iran de Holanda. Na TV Tropical, em Londrina, conseguiu emplacar o programa ‘‘Festival Tropical’’, onde fazia uma mistura de Silvio Santos e Chacrinha, comandando calouros num auditório. Mas durou só seis meses, devido à inadimplência dos anunciantes.
Eleito vereador em Jandaia do Sul, por dois mandatos, chegou a renunciar ao cargo, no segundo mandato, depois de demitido numa emissora de rádio, por ciúme de um colega. Aceitou então, um convite para trabalhar na Secretaria de Turismo, em Curitiba, onde poderia tentar a sorte no rádio. Desse ponto a carreira de Ratinho foi meteórica, passando pelo rádio, repórter e depois apresentador de tevê, até chegar em rede nacional na Rede Record e agora no SBT.
Nesta entrevista à Folha, Ratinho fala de seus planos para Jandaia do Sul, sobre os projetos pessoais e afirma que não participará do processo eleitoral no Paraná em 2002.
Folha Como você explica essa sua paixão pelo Vale do Ivaí e, em especial, por Jandaia do Sul?
Ratinho Tem muita gente por aí que até sabe disso, mas não consegue entender. E é muito fácil entender. Estou agora com 45 anos e vivi 30 anos nessa região, não tem como não gostar. Eu conheço quase todos em Jandaia, incluindo os que estão envelhecendo e a nova geração, que são seus filhos. Sempre fui muito popular na cidade e também em Marumbi e Kaloré. Todos têm um carinho muito especial por mim e isso é recíproco. Só fui embora daqui, como tantas outras pessoas fizeram, por necessidade, porque fiquei desempregado. Desde aquela época eu gostava de comunicação e, na região, não tinha espaço. E também porque acho que eu era ruim demais. Então fui embora procurar meu espaço.
Folha Você é daquelas personalidades que fizeram fama e fortuna e depois resolvem prestigiar suas raízes?
Ratinho A maioria faz isso. O Roberto Carlos faz isso lá em Cachoeira do Itapemirim (ES). Alguns artistas da Globo, do SBT e de outras redes também fazem isso em suas cidades, e o mesmo sentimento que eles têm, eu também tenho, que é voltar à terra natal, para prestigiar a cidade e, se possível, os amigos. Evidentemente que alguns só vêem o futuro e o presente. Eu consigo ver, com prazer, o meu passado.
Folha Na campanha eleitoral de 2000, apoiando o atual prefeito, João Biral, você comprometeu-se a ajudar industrializar Jandaia do Sul. Está conseguindo resgatar esse compromisso?
Ratinho Na verdade o que Jandaia precisa é definir a sua vocação produtiva e, em cima disso, planejar seu desenvolvimento industrial e depois investir em marketing. Quanto ao lado administrativo, se fosse feita uma pesquisa de opinião pública hoje eu tenho certeza que mais de 90% da população manifestaria sua satisfação com o Biral. Eu sabia que ele seria um ótimo prefeito, porque o conheço há mais de 30 anos. É sincero, competente, de diálogo, dá liberdade para as oposições e não é radical. Precisamos apenas definir a vocação de Jandaia e, a partir daí, trabalhar isso. Até contratei um especialista em marketing, que é o Elói Zanetti, para estudar as vocações de Jandaia e mostrar suas potencialidades para o País.
Folha Como vão seus investimentos pessoais, com parceiros de Jandaia?
Ratinho A fábrica de estofados vai muito bem, o Projeto Stevia, da mesma forma, também vai indo bem. E, nesse caso, é preciso que se diga que se trata de um projeto mais demorado, mas que irá integrar toda uma cadeia produtiva, desde o campo até a industrialização, gerando renda e empregos. A gente pretende, dentro do possível, trazer para cá novos investimentos. Não posso, por exemplo, criar gado por aqui, onde as propriedades são pequenas (o apresentador tem mais de 20 mil bovinos na região de Camapuã, MS).
Folha Você tem outros investimentos para Jandaia, usando seu trânsito e influência?
Ratinho Na verdade é preciso esclarecer que as grandes indústrias dificilmente saem de centros, principalmente no eixo Rio-São Paulo, indo para o interior, ou cidades pequenas. E isso se explica porque os grandes centros consumidores estão lá mesmo, mais próximos delas. A não ser no caso de uma pessoa que tivesse um capricho ou carinho por esta terra como eu tenho. Por isso acho que as empresas têm de sair daqui mesmo, depois de se definir quais as potencialidades, as matérias-primas disponíveis e, enfim, uma vocação para a cidade investir.
Folha O nome Ratinho ajuda a vender muita coisa, será que também ajudará vender a imagem de Jandaia do Sul?
Ratinho Não tenha dúvida. Só quero que se defina a vocação. Eu garanto ao povo de Jandaia que, feito isso, dentro de um ano nós mudaremos todo o perfil econômico da cidade e até da região.
Folha O que você pensa a respeito do trabalho do Sebrae e da Associação Comercial e Industrial de Jandaia do Sul, promovendo um diagnóstico sócio-econômico do município?
Ratinho Acho excelente, mas acho que está com pelo menos 10 anos de atraso. Se tivesse sido feito antes, acredito que estaríamos num estágio mais adiantado. Mas ainda assim veio em boa hora. É aquele negócio, ‘tá ruim, mais tá bão’! Agora, posso reafirmar com muita convicção que estou disposto a ajudar Jandaia, com meu programa de televisão, que é sempre um campeão ou vice-campeão de audiência no horário. Um merchandising no meu horário custa R$ 88 mil, e me proponho a divulgar Jandaia de graça.
Folha Você e seu filho, o Carlos Roberto Massa Júnior, estão criando uma rede de rádio no Paraná. Como é o projeto?
Ratinho É isso mesmo. Uma rede de rádio FM, mas para tentar entrar em todo o País. Vai se chamar Terra Brasil. A rede AM sim é voltada só para o Paraná, através de uma rede que está sendo denominada Eldorado e já está sendo trabalhada.
Folha Seu filho já está tomando gosto pela política e até manifesta desejo de ser candidato a deputado. Como você está administrando isso?
Ratinho Eu já disse a ele que se pedisse autorização para ser candidato não deixaria. Mas como eu acho que ele é um empresário bem sucedido em sua empresa de televendas, administra muito bem duas emissoras de rádio e se ele gosta de política, não tenho como falar não para ele. Então, se o Júnior quiser ser candidato, serei seu cabo eleitoral.
Folha E a opção partidária, como fica?
Ratinho Eu dou liberdade total a ele, para que faça o que achar melhor. Já tive preferências no Estado, mas hoje não tenho mais. Não vou me meter na campanha política do próximo ano.
Folha Mas recentemente saiu na Folha que você teria uma escolha tríplice para comandar a política paranaense.
Ratinho Não é bem assim. Acho, por exemplo, que o Osmar Dias é um bom candidato. O Paraná ainda é muito agrícola e, na minha opinião, o Osmar é o único ex-secretário do qual todos se lembram. Os outros passam e ninguém se lembra mais. Ele é uma boa opção, mas não tenho um candidato e nem vou ter tempo para me meter nisso.

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