Muita gente aposta que o setor supermercadista está saturado depois da instalação e da consolidação de grandes grupos e da variedade de bandeiras de rede nas lojas de médio e pequeno porte espalhadas pela cidade. Mas as inaugurações, ampliações e modernizações não param.
O mercado local deverá acompanhar o ritmo estadual de crescimento, 7% em 2007, índice maior que a taxa de crescimento da economia, que deve variar de 4,5% a 5% este ano. Nos últimos anos, a expansão foi visível inclusive nas vias que não contavam com lojas importantes.
Exemplo foi a inauguração neste ano da primeira loja da rede maringaense São Francisco, que aportou na cidade escolhendo (coincidentemente) a Avenida Maringá, via comercial disputada por vários ramos, mas que ainda não contava com a presença de uma grande rede supermercadista.
Caso parecido com a loja do SuperMuffato inaugurada no ano passado na Madre Leônia Milito, avenida que margeia o bairro vertical Gleba Palhano, que permanecia inexplorado pelo setor.
Em um mercado com quatro hipermercados - dois do SuperMuffato (nas avenidas Tiradentes e Duque de Caxias), um do Carrefour e um Condor - além de três lojas intermediárias entre super e hiper (as grandes lojas do SuperMuffato na Avenida Saul Elkind, na Avenida Madre Leônia Milito e na Rua Quintino Bocaiúva), o consumidor é automaticamente beneficiado em razão do grande número de promoções e da variedade de padrão nas instalações.
''Londrina é hoje um mercado maduro, com padrão europeu em termos de número de lojas'', avalia o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Everton Muffato.
Ademar Vedoato, vice-presidente administrativo do Viscardi, rede mais tradicional da cidade com nove de suas 11 lojas em Londrina, concorda com o concorrente e sugere que os novos investimentos devem ser amparados pela cautela.
''É evidente que acreditamos muito no mercado de Londrina e também sabemos que a cidade já está muito bem servida no setor'', pondera, antes de dizer que o grupo não descarta a abertura de novas lojas nos próximos anos.
O Viscardi irá paulatinamente modernizar cada uma das suas instalações, que, entre outras adaptações, passarão a ser forradas e terão ar-condicionado. As primeiras lojas remodeladas entregues ao público serão as unidades da Avenida Inglaterra e da rua Quintino Bocaiúva.
Muito sensível às variações do poder aquisitivo, o setor supermercadista aposta que Londrina continuará incorporando consumidores ainda melhores.''Precisamos que as pessoas tenham dinheiro também para o supérfluo. Acreditamos que o investimento em projetos empresariais voltados ao conhecimento tecnológico, um processo que vem acontecendo em Londrina, pode se traduzir na geração de empregos de alto poder aquisitivo'', analisa Éverton Muffato, diretor do grupo homônimo, dono da marca SuperMuffato.
Novos tempos
Rede local conhecida por oferecer produtos diferenciados em lojas menores, o Musamar já se prepara para esse novo consumidor londrinense, mais informado e exigente. Este mês, a empresa saiu na frente e lançou a exclusiva EcoBag, uma sacola ecologicamente correta que será vendida nas lojas por R$ 13,00 (o que for arrecadado será doado a instituição ambiental).
O objetivo é eliminar o uso das sacolas plásticas, uma pedra no sapato do setor junto à opinião pública mais esclarecida. As sacolas descartáveis usadas em larga escala demoram 200 anos para que sejam completamente degradadas.
O Musamar é um dos integrantes da Rede Ales, uma forma que os empresários de pequenas lojas - de 300 a 1.500 metros quadrados - encontraram para enfrentar as táticas agressivas das grandes redes. A Ales é uma associação de compras que consegue negociar preços melhores com os fornecedores graças à escala alcançada pela demanda de 46 associados - 16 deles em Londrina, onde surgiu 15 anos atrás, para fazer frente ao então recém-chegado Carrefour.
Foi a primeira iniciativa do gênero no Paraná e a segunda do Brasil, provando o gosto do londrinense por idéias inovadoras. ''Os nossos associados vem conseguindo sobreviver a toda esta concorrência. Tanto que nenhuma loja que se associou a Ales fechou as portas e sempre tem algum empresário interessado em se associar'', defende Murilo Bonin, gerente de compras da associação.

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