‘‘Os políticos têm mais com o que se preocupar do que com nossos piercings e tatuagens’’, afirma a estudante Carolina Vieira, 16 anos


‘‘Nunca vi esta Lei em nenhum lugar do mundo’’, informa a paulista Cláudia Zuba, formada em body piercing por uma escola inglesa


A estudante Heloísa Assumpção, 18 anos, fez sua tatuagem aos 16 e conta que teve total apoio dos pais

As gêmeas Paula e Fernanda Montanhini, de 14 anos, queriam fazer piercings nos umbigos, mas a mãe desaprovou a idéia. Antes que a questão se transformasse num problema doméstico, a família achou uma alternativa: as meninas ganharam argolinhas fake, ou seja, aquelas que apenas encaixam na pele, sem precisar perfurá-la.
‘‘Tenho muito medo de que elas se arrependam depois’’, disse a mãe, a arquiteta Laura Montanhini. ‘‘Elas também querem fazer tatuagens, mas vão ter que esperar mais um pouco’’, afirmou.
Nem todas as famílias, entretanto, resolvem tão rapidamente estas questões. Cada vez mais jovens, adolescentes e até mesmo crianças buscam as tatuagens ou piercings, a favor ou contra a vontade dos pais.
‘‘Fiz porque é fashion. Várias amigas minhas também fizeram’’, explica a estudante Carolina Vieira, 16 anos, que há mais de um ostenta uma argolinha cravada no umbigo. ‘‘Na época fiz escondido da minha mãe, mas depois ela acabou descobrindo e achando legal’’, conta.
Para evitar estes casos, o vereador Jair Cézar (PTB) apresentou um Projeto de Lei, que está tramitando na Câmara, onde os menores de 18 anos estariam proibidos de receber tatuagens ou piercings sem a autorização escrita dos pais.
Para o tatuador Christian Martins, 21 anos, que possui um atelier de piercing e tatoo no centro de Curitiba, a nova Lei não vai alterar em nada. ‘‘Jamais trabalho com menor sem a prévia autorização ou uma visita dos pais’’, garante. ‘‘Pode ver, aqui estão os formulários preenchidos pelos responsáveis’’, mostra. Christian explicou que isto não é um privilégio dele e que todos os profissionais de Curitiba agem da mesma forma. ‘‘Esta Lei não traz novidade nenhuma para nós’’.
O vereador, entretanto, afirma que a sua proposta é justamente a de nivelar a prática ao procedimento destes profissionais. ‘‘A Lei pretende atingir aos que trabalham clandestinamente, os que colocam em risco a vida de nossos adolescentes com possíveis contaminações ou infecções’’, afirma. ‘‘Queremos também promover uma maior conscientização dos pais, para que pensem sobre o risco de que seus filhos sofram constrangimentos futuros por causa das tatuagens ou piercings’’.
O estudante Romereto Goya Filho, de 19 anos, discorda desta preocupação do vereador. ‘‘Tem muita gente fazendo. O suficiente para que daqui a dez anos não exista mais o tal preconceito’’, acredita. No último ano, ele fez um piercing no queixo, uma tatuagem no braço, uma na barriga e uma nas costas e descoloriu os cabelos. ‘‘Não tenho nenhum preocupação em me arrepender depois’’, afirma.
Dono da mesma tranquilidade, Teófilo Ferrarrezi, 27 anos, já fez dez piercings em seu rosto e ainda pretende fazer mais. ‘‘Na semana que vem farei um na língua’’, conta. Ele trabalha no mesmo atelier de Christian Martins, onde é responsável pelos piercings.

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