A paixão dos ''profissionais do microfone'' parece ser o combustível que move o rádio rumo a satisfação do ouvinte. A frase ''o rádio é uma cachaça'', que sintetiza o ''vício'' dos radialistas pela profissão, foi ouvida mais de uma vez pela reportagem nas entrevistas feitas em diversas emissoras.
Um desses apaixonados é o diretor da Rádio Cornélio Procópio, Waurides Brevilheri, 67 anos. Ele começou a trabalhar como radialista em 1957, passando por diversas frequências. Apresentou programa sertanejo, fez reportagens de rua, transmissões esportivas e atividades administrativas. ''No rádio a gente bate o escanteio e corre pra cabecear'', resume.
Brevilheri fez quatro viagens internacionais para transmitir Copas do Mundo - em 1978, 1982, 1986 e 1990. Porém, as transmissões mais inusitadas foram os concursos de miss Brasil durante a década de 70. ''Eu levava comigo uma pessoa do ramo e fazia o possível para descrever as candidatas de maneira que o ouvinte pudesse imaginá-las.''
Questionado sobre a evolução tecnológica do veículo, ele responde de forma objetiva. ''Quando comecei tudo dava muito trabalho. Até para tocar música era difícil, os discos eram de 78 rotações. Atualmente, se quisermos, podemos deixar a rádio transmitindo sozinha por meio dos computadores'', comenta Brevilheri, sem mostrar saudades. Sobre aposentadoria ele diz: ''Só vou parar quando não der mais''.
O radialista Jamur Júnior, que começou em 1950, faz questão de dizer que ama a profissão. Depois de trabalhar em várias emissoras de rádio e televisão de Curitiba, região metropolitana e litoral do Paraná, ele encerrou a carreira em 2002.
''Trabalhei muito em televisão. Mas eu sinto falta mesmo é do rádio, pois trata-se de um veículo fantástico, que chega a qualquer lugar. Gosto de pescar e às vezes encontro gente ouvindo rádio no meio da baía de Guaratuba'', conta Jamur.
Vilson Moreno, 32 anos, da Rádio Yara de Bandeirantes, não tem tanto tempo de profissão como Brevilheri e Jamur Júnior, mas seus dez anos de atividades como locutor foram suficientes para deixá-lo seduzido pelo veículo.
''Não existe nada mais mágico do que o rádio. Quem está nos ouvindo não pode ver, mas cria uma imagem para cada palavra que escuta. Não é lugar-comum dizer que o rádio é um vício 'saudável' que não conseguimos largar. Muitas vezes deixamos de dar atenção à família para colocar o microfone em primeiro lugar'', relata Moreno.
''O rádio nos possibilita muitas amizades. No meu aniversário recebo inúmeros presentes de ouvintes, mas é preciso ter humildade e caráter. É um grande perigo para a nossa profissão quando o locutor começa se sentir estrela. Conheço colegas que estão na sarjeta por causa disso'', alerta.
Carlos Ramos Araújo, 46 anos, começou a trabalhar em rádio em 1974. Atualmente na Rádio Paranavaí, ele diz que o rádio transforma inclusive suas atitudes. ''Fora do ar eu sou um cara calado, minha mulher até reclama que sou quieto demais, porém com o microfone na mão eu solto a voz.'' (W.S.)

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