Entre os 15 radialistas londrinenses que iniciaram a carreira política entre 1968 e 1996, somente Alvaro Dias (PSDB) detém hoje um mandato. Alvaro ocupa uma das 54 cadeiras do Senado.
Alvaro começou a trabalhar no rádio em 1966, aos 18 anos. Iniciava ali uma carreira política com um mandato para vereador (1968), um para deputado estadual (1971), dois para deputado federal (1975 e 1979), dois para o Senado (1982 e 1999) e um para governador do Paraná (1987). No ano passado, Alvaro disputou o segundo turno das eleições para governador, mas foi derrotado por Roberto Requião (PMDB).
A política e o rádio conseguiram andar juntos na vida de Alvaro somente até o segundo mandato, como deputado estadual. ''Quando me elegi deputado, em 1970, fui para Curitiba e abandonei totalmente o rádio. Passei a me dedicar só à política. Se fosse hoje não deixaria. Acho que deveria ter continuado em Curitiba embora não tivesse necessidade porque minha trajetória política foi fulminante, mas é um instrumento interessante'', confessou.
Confiante no poder do rádio, Antonio Belinati retornou em 2000 à antiga profissão que o ajudou no início da vida política. ''Devo quase que 100% o início da minha carreira, o primeiro mandato como vereador (1968), o segundo como deputado estadual (1972), ao rádio. Sem ele possivelmente eu jamais teria sido vereador'', afirmou. Belinati ainda foi eleito deputado federal (1974), e prefeito (1976, 1988 e 1996). ''O rádio foi para mim uma grande força para alavancar a minha carreira política e o rádio continua sendo um dos maiores instrumentos de comunicação'', disse Belinati, que se prepara para disputar sua quinta eleição para prefeito. Hoje ele é o pré-candidato do PSL.
Após quatro anos afastado da política, Antenor Ribeiro (PP) também deverá disputar as eleições de outubro de 2004, buscando o quinto mandato como vereador. Trabalhando no rádio há 35 anos, Ribeiro conciliou a profissão com os quatro mandatos (1982, 188, 1992,1996). Na última eleição municipal (2000), amargou a derrota nas urnas. ''Quero voltar porque na última eleição fiquei entre os mais votados em Londrina, mas o partido perdeu a vaga devido a coligação e, sendo um dos mais votados, me sinto encorajado a disputar uma cadeira.''
Ao contrário de Ribeiro, a volta à política não está nos planos do radialista e ex-vereador José Makiolke, o Zezão. Eleito como o mais votado em 1992, Zezão disse ter ficado decepcionado com a política. ''A decepção foi dos dois lados, não fiz o jogo da coisa. Assim como o povo não ficou muito satisfeito eu tambem não fiquei'', desabafou. ''É uma equação de 40 anos de rádio contra 4 de vereador. A minha estrutura, o meu jeito de ser, a minha alma é muito mais de comunicador do que político e imaginei que fosse suficiente, imaginei que ser honesto bastaria.'' (C.O.)

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