Quem se importa?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da Folha 
Todo mundo discute o que é boa cultura e bom entretenimento. Com relação à cultura, concordo que existam níveis de qualidade: não vamos comparar Mozart a Araketu. Mas entretenimento, como a palavra obviamente diz, é para entreter. E aí vale o que faz a pessoa mais feliz.
Claro que é gostoso ''meter a boca'' na novela, filme, música ou livro de escolha dos amigos. Pode-se dizer que o tal reality show não acrescenta nada para a inteligência das pessoas. Mas, quem se importa? No fim do dia, depois de trabalhar por horas a fio, poucos querem assistir a um programa ''intelectualóide'' que vai estafar ainda mais o cérebro.
Todo mundo tem um esqueleto no armário do que faz nas horas vagas. Confesso que meu gosto musical está longe de ser erudito e eu adoro filmes de super-heróis. Mas aposto que tem professor universitário com doutorado em neurociência em Harvard que assistiu ao último filme do Batman.
Tem uma propaganda, acho que de suco, que diz que o mundo está ficando muito chato. Claro que ela se refere à questão da alimentação, que nos obriga diariamente a comer bem. Pode ser que alguém neste mundo goste de verdade de uma alface como lanchinho. Mas bom mesmo é uma fatia de bolo de chocolate recheado de brigadeiro com morango e calda quente de, mais, chocolate.
E se o prazer da senhora é fazer compras e do rapaz é jogar futebol? Se a médica joga vide-game e o advogado lê o Harry Potter? Se o padre assiste às Olimpíadas e a professora vai em bailão sertanejo? Se não machuca, ofende, prejudica, atrapalha os outros. Que mal tem?


