Uma das maiores preocupações quando os brasileiros saem para trabalhar em outros países é a distância da família. A maioria deixa mulheres e filhos para lutar por uma melhor condição de vida. A insegurança aparece quando, no retorno ao Brasil, não conseguem colocação profissional e acabam tendo dificuldades de manter o que conquistaram no exterior. Para não perder tudo, o caminho encontrado por muitos é deixar novamente o país.
A cabeleireira Roseane Sayuri Mia Noda, de 33 anos, enfrenta essa realidade. Com a filha Taís, de apenas seis anos, ela vive as dificuldades de estar distante do marido, Alberto Hiroaki Noda, de 39 anos, que viajou para o Japão no início do mês de junho.
O problema é que a distância tem deixado a única filha muito triste. Bastante apegada ao pai, Taís começou a apresentar mudança no comportamento, logo depois dele ter viajado. ''Ela voltou a pedir mamadeira, ficou mais fragilizada. Não chega a chorar, mas sofre muito. Sente falta do afeto do pai e tenho de suprir tudo'', conta a mãe.
Por causa da filha, o casal já decidiu que as duas vão para o Japão no final do ano. ''Estou providenciando os documentos e viajamos assim que a aula dela terminar, em novembro''. A previsão é ficar no Japão por um período de dois anos. ''Só fico mais tempo se a situação estiver muito boa mesmo''.
A saga da família Noda começou em 1990, quando Alberto foi para o Japão pela primeira vez. Ex-bancário, conseguiu trabalhar como intérprete no país do sol nascente. Sayuri seguiu para lá dois anos depois. Até o ano 2000, quando a filha nasceu, o casal vinha ao Brasil, para passear, a cada dois anos.
Em 2002, voltaram definitivamente. Sayuri fez um curso de cabeleireira e há mais de um ano tem emprego fixo. O marido não teve a mesma sorte e trabalhava administrando construções, sem muita garantia. ''Começamos a ficar preocupados com a situação. Tivemos de nos desfazer de algumas coisas, que conseguimos com tanto sacrifício, e isso gera insegurança''.
Na volta ao Japão, a família pretende fazer de novo uma ''poupança'', para depois retornar ao Brasil, onde vive o restante dos parentes. ''Não vai ser fácil, mas temos de tentar'', afirma Sayuri, que espera, principalmente, resolver o problema da filha, reaproximando-a do pai. (M.O)

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