Vestindo a farda do Choque desde 1988, o sargento Marcos Johas, 42 anos, conhece bem a história do pelotão de Londrina. Segundo ele, a polícia de choque começou na cidade em 1977, quando surgiu a primeira Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone).
  Recentemente, o governo estadual transformou a Rone em Ronda Tático Móvel (Rotam). Só Curitiba deveria continuar com uma polícia de choque. Porém, a mobilização dos policiais londrinenses, que reuniram documentos, fotos, recortes de jornais e mostraram a história e a importância do Choque para Londrina, fez com que a cidade continuasse com o pelotão.
  Além de contar um pouco da história do Choque por aqui, sargento Johas também revelou algumas particularidades da profissão, na qual, muitas vezes, o profissional se vê entre a vida ou a morte. Pergunto ao sargento se ele já precisou matar alguém e se existe remorso depois de tirar a vida de um criminoso.
  ‘‘Tenho Deus no coração. Não saio para as ruas para matar ninguém, mas essas coisas acontecem e são conseqüência do serviço. Na minha carreira policial, já fiz mais de duzentas prisões e estive diretamente envolvido em apenas um caso de morte. É muito triste matar alguém, mesmo que seja bandido, mas temos de continuar trabalhando’’, responde.
  Em sua carreira, sargento Johas já foi ameaçado pelos bandidos diversas vezes, tanto que já não se preocupa muito com isso. Mas ele revela que o medo faz parte da rotina do policial, fardado ou à paisana. ‘‘Quem não tem medo, é louco. Todo ser humano tem esse sentimento. Por isso, muitas vezes tenho medo durante o meu trabalho. Quanto às ameaças, elas me deixam chateado. Porém, sei que sou ameaçado porque estou fazendo um bom trabalho, e não vou parar’’, afirma.
  Quando faço o último questionamento ao sargento, sobre qual é a imagem do Pelotão de Choque que ele gostaria de transmitir à população, escuto a seguinte resposta: ‘‘Embora nosso trabalho seja muito estressante, nós o fazemos porque gostamos. Não existe outro motivo. Sei que, muitas vezes, a polícia faz um trabalho de repressão, por isso não posso exigir que as pessoas gostem de mim, mas quero que elas me respeitem’’.(W.S.)

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