Diariamente entre 10 e 14 toneladas de lixo são retiradas das ruas de Curitiba pelos garis, totalizando de 300 a 420 toneladas de material por mês. Para recolher tanta sujeira, Curitiba conta com um efetivo de 600 profissionais da varrição que se revezam por toda a cidade.
  São profissionais como Eliane Aparecida de Oliveira Joanico, de 36 anos, gari há uma década. Responsável pela limpeza de uma área nas imediações da Catedral Metropolitana, Eliane enche até oito sacos de lixo por turno, das 7h30 às 15h30. Cada saco utilizado pelos garis tem capacidade para 100 litros. Para Eliane a história de que o curitibano não joga lixo na rua é falsa. ‘‘Fica um dia sem varrer para ver o que acontece’’, desafia.
  As equipes se dividem em três turnos. O primeiro é o das 7h30 às 15h50, o segundo vai das 15 horas às 23h20 e o terceiro das 23 horas às 6h40. São quase 24 horas de atendimento, de segunda a sábado. E no domingo há uma escala para atender as avenidas principais e o anel central. Para começar a varrer às 7h30, Eliane acorda às 4h50 e pega dois ônibus entre o Pinheirinho e a sede da empresa Cavo, resposável pelo serviço em Curitiba, na Rua Dr. Faivre, no Centro.
  A região onde a gari varre é uma das mais trabalhosas da cidade por causa do grande fluxo de pessoas, o que acaba resultando em mais lixo jogado nas calçadas. De acordo com o líder operacional da área central, Joaquim Cândido da Silva, nesses locais de maior movimento os garis precisam fazer o trajeto mais de uma vez durante um mesmo turno para manter a limpeza desejada. Eliane não se incomoda. ‘‘Quando a área é grande e suja você cansa, mas o dia passa mais rápido. Eu é que pedi para vir pra esse setor. Até agora ele (o líder) não entendeu’’, conta a varredora, que cobre um percurso de 1,5 mil metros duas vezes a cada dia.
  Entre as áreas que precisam de mais passagens do varredor por turno estão a da Praça Rui Barbosa e a do Terminal do Guadalupe. ‘‘No Centro as ruas são varridas até seis vezes por dia. O Terminal do Guadalupe é varrido oito vezes no mesmo dia’’, explica o líder operacional. Para a pedestre Marilene Aparecida Cordeiro falta colaboração daqueles que transitam pela cidade a pé ou de carro. ‘‘O povo não ajuda. Jogam papel de bala pela janela do carro. Acho muito importante o trabalho dos garis’’, avalia Marilene.
  Isaias Joaquim dos Santos também defende que ‘‘o pessoal deveria colaborar um pouco mais’’ e respeitar os trabalhores da limpeza urbana. Ele diz que está fazendo a parte dele. ‘‘Acabei de pegar um papel e estou esperando chegar a lixeira para jogar. Eu admiro o trabalho deles. Todo trabalho deveria ser respeitado independente do que a pessoa faz’’, observa Santos.
  Helen Cristina de Souza também reconhece o valor do trabalho dos varredores. ‘‘Estão deixando a cidade limpa para nós. Falta respeito, eles também são gente’’, afirma. ‘‘Não é porque trabalham na rua varrendo que são menos que a gente. Eles estão querendo deixar limpo o que a gente mesmo suja. Estão trabalhando para poder viver num lugar limpo, numa cidade melhor’’, completa.

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