Quem acredita na Loira Fantasma?
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Ela assombrou não apenas os taxistas como também as páginas dos jornais. E, depois de 23 anos, segue no imaginário popular. Impressionada com a popularidade da Loira Fantasma, Fernanda Morini fez, em 1989, o curta-metragem que leva o nome da lenda urbana mais famosa da Capital. ''Como era Ditadura Militar, não sei até que ponto davam a notícia para vender jornal ou porque simplesmente não tinham sobre o que falar'', questiona a cineasta. Ela encontrou diversos relatos nos jornais de 1975 e, também, nos de 1976. Ficou surpresa ao perceber como, anos depois, a lenda ainda seguia forte. Nas pesquisas para o filme, Fernanda chegou à conclusão que um crime pode ter dado origem à lenda. ''Mas isso é assunto de polícia. A nossa preocupação era tratar do que estava na cabeça das pessoas.'' O curta está disponível no Youtube.
Eloir José Golemba, 29, trabalha como taxista há oito anos. Em 1975, data que marca o início da lenda, não havia nascido. Há três anos, sacaneou um dos colegas. Em uma das histórias relatadas no seu livro ''Meu táxi não fala. Ah, se falasse'', que pretende publicar em 2009, ele conta como foi bancar a Loira Fantasma. ''Fui devagarzinho, na ponta dos pés, abri a porta de trás do carro dele, fiz uma voz fina de mulher, e pedi para ele me levar até um endereço próximo a um cemitério, ele nem olhou para trás, levantou o banco rapidinho, bateu na partida e foi levá-la até esse tal endereço.'' Eloir lembra que o taxista, que estava dormindo quando lhe pregaram peça, ficou muito assustado e depois de saber que era uma brincadeira nunca o perdoou. ''Tem muito taxista que jura que já viu a loira. Eu não acredito. Mas finjo acreditar para não perder a amizade.''


