QUEIMADAS - A influência do crime na poluição
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sábado, 16 de julho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Londrina é a cidade com a maior relação de veículos por habitantes do Estado do Paraná. Estimativas da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) projetam para o município uma frota de cerca de 170 mil automóveis dois para cada cinco moradores. Este número chega a 250 mil nos dias de semana, quando a população das cidades vizinhas vem para o centro da Região Metropolitana a trabalho. Londrina também tem o segundo maior parque industrial do Estado, ficando atrás somente de Curitiba. Depois de apresentados, estes dois fatores levariam facilmente qualquer pessoa a acreditar que a cidade, considerada pólo econômico do Norte do Estado, apresentaria índices elevados de poluição atmosférica, em decorrência de uma suposta alta emissão de gases. No entanto, tida como um problema de gravidade apenas moderada, a poluição do ar não tem como causas as duas características que se supõe como as mais influentes. Assim como em 64% das cidades de todo o Brasil, acredita-se que Londrina tenha como causa mais comum de poluição as queimadas rurais e urbanas.
Problema crônico em um País como o Brasil, onde a agricultura ainda engatinha na busca de alternativas mais rápidas para o reaproveitamento de pastagens e devastamento regular de áreas verdes, as queimadas acontecem com frequência assustadora. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), 200 mil focos de incêndios são localizados por ano. A maioria deles aproximadamente 30% acontece na Amazônia. Isso não significa, no entanto, que as áreas urbanas estejam livres do problema. Por sinal, a avaliação do chefe-regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, é de que as pequenas queimadas, promovidas, por exemplo, em quintais para a eliminação de lixo, sejam as mais prejudiciais ao meio ambiente.
Em Londrina, nenhum dos organismos direta ou indiretamente relacionados ao assunto IAP, Corpo de Bombeiros, Polícia Florestal, secretarias municipal ou estadual de Meio Ambiente possuem levantamentos oficiais sobre o número de queimadas promovidas na cidade. Da mesma forma, todos têm opiniões diferentes sobre a influência das queimadas nos níveis de poluição no município, diferindo de um estudo realizado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo esse estudo, 64% das cidades brasileiras apontaram os incêndios como a causa mais comum (não a mais agressiva) de poluição atmosférica.
''Não podemos afirmar com clareza por não termos recursos para tal medição, mas acredito que as queimadas urbanas e rurais respondam por 70% a 80% do total de gases poluentes emitidos na atmosfera sobre Londrina'', afirma o comandante do Corpo de Bombeiros da cidade, o capitão Ricardo Jammes Teixeira. ''Este número pode se tornar ainda mais alto nos períodos de estiagem e no pós-inverno, quando a vegetação está ressecada e facilita a queima'', explica.
Mesmo sendo apenas um ''chute'', o percentual citado pelo capitão é ainda mais preocupante quando se leva em conta uma outra informação do estudo feito pelo IBGE: nas cidades com mais de 100 mil habitantes, as queimadas perdem o posto de fator de poluição mais comum para as indústrias e para os automóveis. Londrina tem 480 mil habitantes.
As avaliações do IAP, Bombeiros, Polícia Florestal e Secretaria Municipal do Ambiente convergem para um ponto favorável à cidade. Todas as entidades são claras ao dizer que o problema não é frequente em Londrina. A grande participação de queimadas na emissão de poluentes deve-se, portanto, aos baixos índices de partículas tóxicas na atmosfera. Quando uma cidade é pouco poluída, qualquer emissão de gases é perceptível.
De acordo com o comandante da 3 Companhia de Polícia Florestal do Paraná, Capitão Hilberaldi Correia de Lima, a corporação lavra mensalmente cerca de quatro autos de infração por queimadas não regularizadas. ''Porém esta quantidade não reflete a realidade, pois muitas pessoas não sabem que as queimadas são uma prática irregular e por isso não nos comunicam'', afirma. ''Este número, com certeza, deve ser bem maior'', completa.


