Quebra dos Lovat atrapalhou planos de colonização
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Londrina 
Faria indica que somente em 1875 Mauá levou o projeto a Londres. Na Capital ele foi recebido por lorde Lloyd e um representante dos capitalistas britânicos, lord H. Lovat. Uma notícia da época dava conta da falência dos Lovat - o que deve ter impedido as negociações. H. Lovat era o membro mais rico da sua dinastia e pertencia à mesma casa nobre do lord Lovat que depois entrou para a história da fundação de Londrina. Este nosso Lovat era o 16º barão do Reino Unido. É ele que em 1924 chefia a missão financeira britânica que vem ao Brasil comprar terras. Foi ele quem posteriormente organizou a Companhia de Terras Norte do Paraná, dando início a colonização das férteis terras em 1929, quase 60 anos depois de Mauá ter pensado no assunto.
Coincidência ou não, é de se questionar até que ponto o relatório e o projeto levados por Mauá à Inglaterra não tenham, anos depois, despertado interesses de financistas britânicos. A estrada de ferro sonhada por Mauá não saiu do papel, apesar dele ter gasto muitos contos de réis no projeto. Em outra edição mais completa e especial de 100 volumes, de 1927, Alberto de Faria afirma que o barão entregou quatro cópias do mesmo relatório e do projeto para serem estudados pelos ingleses.
O que possivelmente aconteceu foi que uma cópia esquecida na papelada de algum inglês, na época envolvido no projeto, tenha sido descoberta anos depois e servido para motivar outros empreendedores. Os episódios apontados no livro não deixam de ser intrigantes. Seria demais perguntar se os ingleses escolheram estas terras sem nenhum referencial anterior? É difícil. (P.U.)


