Outra característica dos blogs é a linguagem cifrada, quase inacessível para pais e não-iniciados nos termos. As palavras são abreviadas, a acentuação esquecida e é pelo som que produzem que são escritas. Português e inglês muitas vezes se misturam, mas em nenhum dos casos são respeitadas regras de concordância ou qualquer outra. A palavra ''você'', por exemplo, foi padronizada como ''vc'', ''não'' é ''naum'', ''beleza'' é ''blz'', e por aí vai.
Tente ler, por exemplo, alguns desses trechos retirados de blogs e flogs: ''skeci ki vc soh tah na 7 serie e teim medu di pessoas du 3ao!!!!!!''. Para quem não conseguiu: ''esqueci que você só está na 7 série e tem medo de pessoas do terceirão!!!!''.
Quem escreve assim argumenta que é mais fácil de digitar as palavras, sem precisar ficar ''procurando'' os acentos no teclado do computador, mas admite que é também uma forma de ser diferente. ''É mais fácil de digitar, mas é também 'mais adolescente', aquela coisa de não querer seguir regras'', admite Flávia. Rindo, Kendra acrescenta: ''às vezes a palavra fica até mais comprida''.
E será que esse modo de escrever não pode prejudicar os adolescentes no futuro, ou mesmo agora, ao fazer provas e escrever textos ''normais''? A psicóloga Neide Zucoli de Oliveira acredita que pode ser sim motivo de preocupação. ''Hoje os adolescentes lêem e escrevem pouco e a linguagem é uma questão de treino. Escrever assim pode influenciar, sim, na escrita errada'', alerta. ''Uma vez, numa prova, abreviei (a palavra) porque e coloquei 'pq' e o professor descontou ponto'', conta Thaíssa.
Para a supervisora pedagógica de um colégio particular de Londrina, Márcia Guimarães, um possível prejuízo vai depender da base de leitura que o estudante já tem. ''Se o estudante tem uma base de leitura boa, não é o fato de escrever sem preocupação com a estrutura gramatical no blog que vai comprometer sua escrita. Mesmo a gente, quando vai escrever um recado, por exemplo, não está tão preocupada com a linguagem. Mas, se o aluno não tem base, ele vai reproduzir essa maneira de escrever'', disse, ressaltando que os problemas de leitura e escrita de adolescentes já existiam antes mesmo da febre dos blogs. (C.P.)

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