Que cada um torça como preferir
Nas torcidas organizadas com menos adeptos, o espírito mais improvisador prevalece. A Ultras do Atlético, por exemplo, aponta que tudo ''sai do bolso'' dos cerca de mil associados. ''Ninguém nos ajuda em nada. Arrecadamos dinheiro entre os associados e até há uma mensalidade, de R$ 7, mas é mais uma ajuda de custo para viagens. Quem paga essa mensalidade ganha desconto na compra de produtos da torcida. Como somos uma torcida de pequeno para médio porte, fazemos esses produtos mais pelo prazer de 'ter uma cara''', relata o despachante Gabriel Barbosa, presidente da Ultras.
A Mancha Verde, do Coritiba, vive da doação de sócios. ''Temos produtos oficiais, mas como somos poucos (cerca de 50 integrantes), não dão lucro. É mais para divulgação'', explica o motorista Cléverson Luiz Bayer, o Alemão, presidente da Mancha. Ele aponta que a torcida tem um perfil diferente das outras organizadas. ''Não crescemos tanto porque ficamos nas cadeiras (do estádio). Entre os nossos integrantes, há muitas pessoas com filhos e casais'', argumenta.
A Povão, também do Coxa, tem um estilo ainda mais diferenciado. O estudante Nikolas Woellmer, membro do grupo criado durante o Campeonato Paranaense do ano passado, explica que a Povão nem gosta de ser chamada de torcida organizada. ''O objetivo não é ser uma organizada. O nome é o que menos importa. Não usamos nenhuma faixa com o nome, só faixas de apoio ao Coritiba'', descreve Woellmer. Entre essas faixas, a Povão leva bandeiras com desenhos de ídolos do Coxa, como Kruger e os jogadores do time campeão brasileiro de 1985.
''Não concordamos com o espírito das torcidas organizadas, que têm produtos que concorrem com os produtos oficiais do próprio clube. Nos reunimos apenas dentro do estádio. Fora, é cada um por si. Mas temos amizade com gente das organizadas. Não queremos que elas acabem, é uma questão de ideologia apenas. Que cada um torça como preferir'', afirma Woellmer. (F.G.)





