Quatro estrelas e um sorriso
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Poucas vezes na história, a bandeira de Londrina, que completa este ano 54 anos, teve uma admiração tão genuína e tão convicta. O garoto Rafael Martins Menon, de 3 anos e 11 meses, é apaixonado pela criação do modernista Guilherme de Almeida e tem uma relação com o símbolo municipal como se ele fosse o melhor dos brinquedos. "O que eu mais gosto é das estrelinhas", conta o garoto, fã também da bandeira do Brasil e do Paraná.
A paixão é tanta que o avô, o gerente de compras José Roberto Martins, já decidiu como presentear o neto no próximo aniversário dele, que completa quatro anos em janeiro. Ele vai fazer uma miniatura de um centro cívico funcionar dentro do apartamento onde Rafael mora. "Já encomendei. Serão três mastros, de cerca de um metro e meio de altura, com pequenas réplicas das bandeiras, que poderão ser hasteadas", explica o orgulhoso Martins.
O presente vai ser completo, com direito ao vento que faz os pavilhões se mostrarem por inteiro. "Encomendei a montagem de um equipamento, um pequeno ventilador direcionado que vai fazer as bandeiras tremularem", explica o avô, que trabalha numa empresa de refrigeração hospitalar. O ventilador é um pequeno luxo, mas que vai fazer toda a diferença. "Gosto de ver a bandeira balançando. É mais bonita", conta o garoto.
Rafael já se tornou conhecido na escola em que estuda. Já hasteou a bandeira em frente aos outros alunos, uma exibição que ele levou tão a sério que a tarefa lhe rendeu os primeiros calos, segundo a mãe, a terapeuta Camilla Caraco Martins Menon. Entre os professores e os coleguinhas, Rafael também ficou famoso por cantar os hinos nacional e à bandeira numa reunião com todos os alunos.
A família conta que a atração por bandeiras e hinos surgiu nos estádios. O garoto acompanhava o pai, Rogério Menon da Silva, árbitro que integra o quadro da Federação Paranaense de Futebol. Como os hinos do Paraná e do Brasil são executados antes dos jogos conforme o regulamento das competições estaduais -, o pequeno londrinense foi desenvolvendo seu fascínio pelos símbolos cívicos. Quando a bola rolava, os olhos infantis de Rafael preferiam observar as bandeiras tremulando. A predileção foi ficando explícita e não demorou para que logo ele tivesse uma coleção de bandeiras doadas por amigos e parentes.
"Ultimamente, ele tem apreciado mais a bandeira de Londrina", diz a mãe, dando pista para os próximos presentes. "Ele fica vendo vídeos sobre bandeira no youtube para conhecer mais bandeiras. Às vezes, em algum filme ou alguma viagem, ele pergunta que bandeira é essa?. A gente informa e ele memoriza rapidamente", relata a mãe.
A encomenda de Martins para o Neto foi feita numa loja do centro de Londrina, uma das fornecedoras da Prefeitura e da Câmara Municipal. De acordo o proprietário José Antonio Cavicchioli, são vendidas 50 unidades do pavilhão municipal a cada ano, especialmente para escolas. A bandeira é feita de tergal e custa R$ 50.
Neste ano, o pico de vendas ocorreu após o vendaval que abriu a primavera. Com as rajadas, muitas peças não suportaram e foram destruídas. "O Rafael ficou muito triste quando viu as bandeiras rasgadas. Ele chegou a chorar", revela a avó Clarice Caraco Martins, professora aposentada. "Acho isso muito bonito. Numa época que ninguém valoriza nada que lembre o patriotismo e o civismo, meu neto é um grande exemplo."
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