O um centavo de desconto que tanto atraía as pessoas para as lojas de R$ 1,99 no final dos anos 1990 já não faz tanta diferença. Se quando esse tipo de comércio surgiu na década passada o valor era o grande chamariz para lojas populares, hoje a variedade de produtos e preços são os motivos que mais levam consumidores e lojistas aos vastos corredores dos atacados. Neles, rádios portáteis, panelas, copos plásticos, enfeites de mesa, porquinhos porta-moedas, aparelhos de DVDs. Nas etiquetas, valores que vão de R$ 0,90 a R$ 300.
Famosas durante a época da baixa do dólar, as lojas de R$ 1,99 tiveram de se adaptar aos novos tempos da economia do século XXI. E adaptação diz respeito a oferecer de tudo, para todos a preços variados. Essa é a principal características desse nicho de mercado atualmente, diz Irineu Polok, proprietário de uma distribuidora de produtos populares em Curitiba. "O que existe hoje são as lojas mistas", comenta. "Vendo desde um DVD de R$ 245 até um briquedo de R$ 1. É por isso que atraímos tanta gente", acredita.
No período pré-natalino, a equação "produtos populares + baixos valores" funciona pela lei da atração. Com os corredores abarrotados de compradores de todo o País, Polok diz que ainda não está perto dos melhores dias. Nessa época do ano, ele informa que as vendas praticamente dobram. "Vendemos entre 40% e 50% a mais durante o Natal".
Para receber um montante tão grande de compradores, o proprietário do atacado conta que a preparação para o Natal se inicia em março. No terceiro mês do ano, os estoques começam a ser abastecidos com brinquedos, enfeites, guirlandas, árvores e bolas de Natal. Os produtos ficam no estoque até o Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro. A partir dessa época, os corredores começam a ganhar contornos natalinos.
Com tanta preparação, Polok diz que a crise econômica que atingiu primeiro o mercado imobiliário norte-americano e que ameaça se espalhar pelo mundo em forma de recessão ainda não atingiu as lojas de produtos populares. "Nossa expectativa é vender cerca de 20% a mais que no Natal do ano passado", estima.
Rafael Henrique Novak, gerente de outro atacado de produtos de R$ 1,99 e derivados, tem duas explicações de motivos pelos quais a temida crise tem passado longe do ramo. O primeiro diz respeito a alta do dólar nos últimos meses. Com a moeda norte-americana nas alturas, os pequenos compradores, que agora lotam os atacados, deixaram de fazer compras no exterior - o grande atrativo de comerciantes na época de dólar baixo. Destinos certos, como o Paraguai, por exemplo, ficaram em segundo plano.
Outra explicação para o aumento da procura tem origem na crise. "Devido à crise, muita gente tem procurado comprar produtos mais baratos", acredita Novak. E produtos mais baratos, mesmo que não seja na casa de R$ 1,99, essas lojas têm de sobra. "Para nós, não existe crise. Depois do Natal, vem a volta às aulas. Depois, Páscoa. E assim vai. Vendemos produtos para todos os segmentos e épocas comemorativas do ano", diz Novak. Para estes atacadistas, o um centavo mais barato não faz tanta diferença, mas que anda espantando a crise, isso não há como negar.

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