Quanto mais velho melhor
Antiquários são lojas que vendem o passado embalado com a beleza e de troco vem um bom negócio
Fabiano Camargo

Kraw PenasOs lustres com cristais estão entre os produtos mais cobiçados. Este, custa R$ 6 mil, na Beatriz Séra antiguidadesSentado na sala de casa, cercado por dezenas de relógios que constroem uma cortina sonora de tic-tacs, o colecionador de objetos antigos Raul Reinhardt, 60 anos, diz que frequentar e fazer compras num antiquário é um hábito que mistura o gosto pelo belo com uma forte identificação com a cultura e a história. Também dono de um antiquário, Reinhardt diz isso inspirado não só pelo que sente, mas também pelo relacionamento com os clientes.
‘‘O processo de compra é muito diferente do comércio normal. Não é como entrar num shopping center ver algo que gosta e levar para casa sem pensar muito. Existe uma relação de afetividade maior entre as peças e as pessoas. Elas vem aqui, sentam e chegam a ficar conversando horas’’, lembra Reinhardt. ‘‘Não são poucos os que se dizem apaixonados por algum produto’’. Apesar do mercado de antiguidades de Curitiba também ter sido atingido pelo crise geral que arrefeceu a economia, a cidade possui muitas lojas especializadas com qualidade reconhecida e um público frequentador que vem crescendo nos últimos anos.
Kraw PenasVaso do final do século passado, em porcelana, da marca Faiança: R$ 4 mil, na Beatriz Séra
A empresária Beatriz Séra, dona de outro antiquário, confirma. ‘‘Temos nos espantado com o número cada vez maior de jovens que vem visitar nossa loja, o que mostra que o mercado consumidor de antiguidades está aumentando’’, diz Beatriz. Mas, segundo ela, ainda falta atenção para o ramo. ‘‘Acredito que os decoradores deviam voltar mais os olhos para as antiguidades. Em geral, eles estão preferindo as chamadas peças de design, que têm a desvantagem de correr mais o risco de cair de moda e não são tão valorizadas’’.
Os produtos de uma antiquário não são, definitivamente, para os orçamentos mais comedidos. Mesmo assim, a antiquarista Beatriz Séra garante que existem boas opções de compras que não são tão caras. ‘‘Móveis e poltronas antigos, que são exclusivos e possuem uma beleza e personalidade especiais, podem sair mais baratos do que os novos, de marcas comerciais que fabricam em escala industrial’’.
Buscar orientação especializada, com profissionais com tradição no mercado, é uma dica que não pode ser esqueçida pelos consumidores. ‘‘Existem peças que fazem muita ‘vista’, com muitos detalhes em dourado, que na verdade não valem tanto como outras mais discretas’’, diz Beatriz. Segundo Raul Reinhardt, o valor de um produto depende muito da sua origem. ‘‘Porcelanas das marcas Sévres, francesa, e Meissen, alemã, por exemplo, sempre são muito valorizadas’’.
Kraw PenasRelógios antigos do antiquário Reinhardt. O da direita, com dois metros, é francês e data de 1850. Preço: R$ 2.500,00
Para avaliar o preço de uma antiguidade, os antiquaristas se armam com livros e catálogos importados, editados várias vezes por ano, que trazem a cotação internacional das peças. Galerias famosas como a Sotheby’s e a Christie’s costumam editar guias mensais. Este tipo de informação ajuda os profissionais do ramo na hora de vender e comprar. Os antiquários costumam montar seus estoques comprando de empresas especializadas, localizadas em centros como o Rio de Janeiro e São Paulo ou no exterior, e também de pessoas que resolvem se desfazer de bens de família.
As tendências e modismos da decoração costumam influir no preço. Atualmente, por exemplo, as peças em alabastro (material parecido com o mármore, só que mais mole) são muito procuradas e portanto, tiveram uma valorização no mercado. As porcelanas da marca Faiança, francesas, também estão em alta.
SERVIÇO - Beatriz Séra Antiquário (R. Angelo Sampaio, 1290 - Fone: 244-0044); Canvas Antiquário (Al. Dr. Carlos de Carvalho, 364 - Fone: 223-3450); Reinhardt Antiquário (R. Inácio Lustosa, 416 - Fone: 222-2501); Novecento (R. 13 de Maio, 301 - Fone: 225-2043).

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