Eles partiram em busca do mesmo sonho: uma vida melhor. Mas tiveram de voltar quando perceberam que a situação fora do Brasil e longe da família é muito difícil. Pessoas que nem se conhecem, mas que são unânimes quando afirmam: a sorte lá fora não é para todos.
Aos 25 anos, Francieli Olivieri Ferreira relembra dias difíceis vividos em Portugal, quando decidiu com o namorado e com um grupo de amigos buscar uma nova oportunidade de trabalho. ''Foram dois meses de pesquisa sobre o lugar, o trabalho, até decidirmos tudo''.
Francieli trabalhava como vendedora em um shopping da cidade e embarcou com outras seis pessoas, entre elas uma criança. ''Tínhamos um conhecido lá, que falava da facilidade de emprego e de bom salário. Quando chegamos não era nada do que ele falava. Não tinha serviço nenhum. Ele queria pessoas para dividir despesas''.
Para viajar, Francieli vendeu uma moto, enquanto o namorado vendeu um carro. ''Todos os outros colegas tiveram de vender pelo menos o carro, para bancar as despesas com as passagens e se manter lá'', afirmou.
Já em Portugal os três homens do grupo não conseguiram trabalho. ''A fiscalização na época era rigorosa nas construções''. As mulheres tiveram mais sorte e começaram a trabalhar na primeira semana em lojas de shoppings. ''Gastamos o dinheiro que levamos para nos manter por um período com aluguel e a compra de utensílios para a casa''.
O grupo não se separou. ''Em terra estranha, quanto mais unido, melhor''. Apesar da tentativa de emprego, a vontade da maioria era voltar para o Brasil, mas até isso era difícil. ''O salário lá era baixo e a gente enfrentava muito problema''. Francieli conta que várias vezes foi acusada de roubo na loja onde trabalhava, só para ter o salário descontado pelo chefe. ''Passei muita humilhação''.
A luta para voltar ao Brasil durou quarenta dias e cinco integrantes do grupo conseguiram retornar. ''Dois deles ficaram e se deram bem''. A volta reservou meses difíceis, que foram superados com o retorno ao trabalho e a recuperação do que Francieli havia perdido. ''Fiquei à pé, trabalhei dia e noite para pagar minhas contas. Foram cinco meses até conseguir sair das dívidas, comprar outra moto e voltar a ter uma vida mais tranquila. Não aconselho ninguém a sair do país. Acho que não vale a pena''.

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