Vou começar com uma pergunta fácil. Quando uma pessoa está doente, você faz o quê? Levar para um hospital ou médico são respostas plausíveis. Agora, se você tem um documento, livro ou fotografia maltratados, uma das opções em Curitiba é a Oficina de Papel. Ela foi criada em 1995 pela restauradora Maria Márcia Pontarolli Dalledonne. Seu interesse pela profissão começou em 1989, quando, depois de formar-se em Pintura, passou a trabalhar no Centro de Conservação e Restauro e foi voluntária na Casa João Turim.
Como muitos de seus colegas, que não são tantos assim pelo País, Maria estudou no Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), em Minas Gerais. Recentemente, tem trabalhado bastante no reparo de livros. ''Mas já aviso o cliente: às vezes é o caso de comprar um novo. O reparo vale à pena quando tem um valor sentimental especial, como um autógrafo.'' O comentário não é gratuito. O restauro é um trabalho demorado - ela pede ao menos 30 dias - e caro. Um livro de brochura mal-conservado pode custar R$ 400 para ser reparado, enquanto volumes mais antigos, encadernados, podem ver seu valor de restauração chegar a R$ 3,5 mil.
Recentemente, em um trabalho que durou cerca de um ano, Maria restaurou o primeiro livro de registros de batismos e casamentos da Catedral Metropolitana de Curitiba. O volume, datado de 1794, estava todo solto e com pedaços de papel faltantes. ''Ele veio praticamente desmontado, cheio de durex, com áreas em que a tinta, corrosiva, estragou o papel'', comenta. Para repor as partes perdidas, utilizou uma máquina reenfibradora. A que ela tem, construída a seu pedido por seu irmão, engenheiro químico, enxerta o papel faltante. A Oficina do Papel fica na Rua Sete de Setembro, 6.534. Mais informações pelo telefone (41) 3342-6490. (R.U.)

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