Em uma pequena casa de madeira, na beira da PR-092, no trecho entre Cerro Azul e Doutor Ulysses, sem asfalto, energia elétrica, água encanada e muito menos rede de esgoto, mora a aposentada Silvanira Leal, 67 anos. O cenário é dos mais bucólicos e remete à década de 1950, quando o Paraná - a exemplo do Brasil - era muito mais rural.
Hoje, com o progresso caminhando em alta velocidade, mal dá para acreditar que alguém ainda viva em situação de tanto isolamento, onde o que passa mais depressa são os carros que tentam vencer a estrada sem pavimentação, no máximo a 50 km/h.
Silvanira é uma pessoa simples, educada e cheia de sorrisos. Mora na casinha de madeira com as três filhas mulheres e uma neta.
Acostumada com a falta de conforto e a poeira, a aposentada não reclama da vida. Gosta do sertão. Sua neta, Valquélia Leal do Carmo Rodrigues, 16, também não tem muito a reclamar. Nem a falta de televisão incomoda. Ela está satisfeita com as músicas que vez ou outra sintoniza no radinho de pilha.
No entanto, nem tudo são flores na vida dessas mulheres. Desde que Valquélia precisou de uma cirurgia, há quatro anos, para corrigir um problema em uma das válvulas do coração, as idas até Curitiba são frequentes. As revisões precisam ser feitas no tempo certo, a cada seis meses.
''Muita gente tem de ir até lá para consultar, isso é normal pra gente. Às vezes, vamos em 12 na ambulância. A estrada é esburacada, mas fazer o quê? Temos de ir'', resigna-se a aposentada.
Por conta de precisar encarar a poeira, Valquélia abandonou os estudos logo depois de ser submetida à cirurgia. ''Seria muito sofrido pra ela ficar indo à escola. Achei melhor parar'', justifica a avó.
Hoje, mesmo recuperada, a garota não pretende voltar a estudar. ''Daqui a pouco já está na hora de casar'', explica a adolescente.
Alguns quilômetros adiante da casa de Silvanira, mais dois personagens do isolamento da poeira. Já com o sol se pondo, o casal Antônio Miguel e Araci Despranche sofria para empurrar morro acima a motocicleta com o motor quebrado.
''Semana passada já gastei R$ 60,00 com o conserto dessa moto. Agora quebrou de novo e o lugar mais próximo para o conserto fica a 25 km de Doutor Ulysses. O jeito é empurrar mesmo'', conforma-se Antônio Miguel.(W.S.)

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