Diferente de hábitos comuns, as manias podem ser chamadas assim quando, a rigor, não têm nenhum objetivo. Por isso, o ato de escovar os dentes não pode ser considerado uma mania, ao contrário do costume de roer unhas ou ser obcecado por limpeza.
Ainda assim, as manias são inofensivas, visto que não alteram a rotina das pessoas, nem afetam a saúde. No entanto, a psicóloga Silvana Farinha alerta para a possibilidade de que estas manias se transformem em neuroses, ou no que hoje é conhecido por Transtorno Obssessivo Compulsivo, o popular TOC.
''Todo mundo que tem uma rotina está sujeito a ter uma mania. Mas as ações repetitivas podem se transformar em motivo para preocupação quando passam a ser uma exigência diária para a pessoa. As manias se transformam em neuroses quando a pessoa passa a não poder 'não fazer' algo'', explica Silvana.
As ações descritas como TOCs são, geralmente, iguais a uma mania comum. Pacientes de transtornos obssessivos-compulsivos não pisam em linhas no chão, lavam as mãos repetidamente ou organizam os pertences metodicamente. ''O problema, neste caso, não está na mania em si, mas no fato de que para a pessoa esta ação seja imperativa. Quem sofre de TOC acha que, se não fizer o que pretende, estará sujeitando ela própria ou uma pessoa querida à uma catástrofe, um desastre'', salienta a psicóloga.
A preocupação com o ''tentar prevenir'' as tais catástrofes é o que pode transformar uma mania num problema. Na ânsia de se proteger de um acidente, a pessoa passa a realizar as suas manias cada vez mais vezes, a ponto de tal ação tomar horas do dia. ''Se esta mania está comprometendo a vida social e profissional de uma pessoa, é melhor ela pensar em procurar ajuda'', avisa Silvana.
Além de terem que lidar com as próprias neuroses, pacientes de TOC ainda têm que enfrentar o preconceito, já que problemas de origem psicológica geralmente são associados à ''frescura'' ou ''loucura''. Um exemplo claro disso é a depressão, que só passou a ser encarada como doença há pouco mais de 20 anos.
No caso do TOC, o transtorno foi descrito pela primeira vez por Sigmund Freud, no final do século 19. O ''homem dos ratos'', como ficou conhecido um dos pacientes do pai da psicanálise, era um soldado do império austro-húngaro que precisava, invariavelmente, contar até 40 entre um relâmpago e o trovão, durante tempestades. ''De lá para cá, o tratamento evoluiu muito e hoje o acompanhamento psicológico pode fazer com que um paciente de TOC livre-se sem grandes dificuldades do próprio transtorno'', conclui ela.(A.M.)

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