Quando a arquiteta Daniela Slomp Busarelo, 23 anos, percebeu sua vocação, lutou contra até o último momento. ‘‘Até pensei em esquecer a Arquitetura e tentar Publicidade e Propaganda, mas no final acabei tentando uma vaga no curso sem que meus pais soubessem’’, conta. O motivo da crise foi um só: ela é filha única de dois renomados arquitetos da cidade, Orlando e Dilva Busarelo.
O receio em mergulhar na mesma carreira dos pais foi superado quando Daniela foi aprovada no vestibular de Arquitetura e começou a trabalhar com eles. Foi quando aconteceu o inevitável: o perfeito entrosamento profissional entre pais e filha.
Mas nem tudo foi tão simples assim. Quando entrou na faculdade, Daniela já começou a conviver com preocupações originadas por seu sobrenome e filiação. Ela conta que, na época, era frequentemente o alvo de brincadeiras de mau gosto dos colegas. ‘‘Eles insistiam em desconfiar que era o pai quem fazia meus trabalhos e projetos acadêmicos’’.
Daniela admite que também já teve ‘‘altas crises’’ pelo fato de conviver com os pais em casa e no escritório, onde atualmente passam juntos cerca de oito horas diárias. ‘‘Chega uma hora em que mistura tudo, não sei mais quem sou eu e quem são meus pais’’, conta. Para fugir disto, ela se dedica a outras atividades paralelas, como cursos de francês e natação.
Atualmente os três trabalham juntos em vários importantes projetos, como o jardim interno desenvolvido para a Casa Cor deste ano e efetivado no edifício Curitiba Trade Center, onde aconteceu a exposição.
‘‘As vezes acontecem algumas discussões no escritório, principalmente com o meu pai, que é super parecido comigo, mas elas não são frequentes’’, explica Daniela.
‘‘Hoje eles têm muito orgulho de mim e eu deles’’, conta. Ela nega que tenha sofrido qualquer influência dos pais e acredita que a vocação seja ‘‘genética’’.
‘‘Apesar de trazer um importante back-ground de casa, onde desde criança convivo com a arquitetura, garanto que eles não tiveram participação na minha escolha’’.
Daniela discorda de que ter pais bem sucedidos na mesma profissão seja o suficiente para ser um profissional bem sucedido. ‘‘Meu pai é meu chefe e muitas vezes fica difícil trabalhar o lado pessoal disto’’.

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