A chegada da primavera marca o abrir das flores. O que para muitos significa beleza, para outros pode ser encarado como um momento difícil , devido a alergia ao pólen, a polinese.
  Embora seja mais comum em países e regiões que apresentem estações bem definidas – no Japão durante a floração, estima-se que uma a cada cinco pessoas apresente a polinese. ‘‘Na nossa região não é comum, primeiro pelo clima e depois porque o que causa não são os pólens de flores porque estes são pesados. Aqui o mais costumeiro são os pólens das gramíneas’’, explica a médica Heloísa Simonini Delfino.
  Alergista e diretora do departamento de Alergia da Associação Médica de Londrina (AML), ela comenta que conviver com a intolerância ao pólen pode parecer um desafio já que, diferentemente da alergia a poeira, a pessoa nem sempre consegue evitar o contato com o causador do sintoma. ‘‘A pessoa vai passar mal fora de casa. Nem sempre o paciente pode deixar de sair e fica difícil evitar o contato com o pólen’’, diz.
  De acordo com a médica, o portador da alergia apresentará um quadro de rinoconjuntivite, com olhos e nariz vermelhos, lacrimejamento e secreção intensos. Uma particularidade que pode determinar se a ‘‘culpa’’ é do pólen é o aparecimento deste quadro com maior intensidade na primavera e no verão. Outro sintoma comum é o aparecimento da asma.
  Para identificar o problema são feitos testes alérgicos, como o cutâneo com o uso de alergênicos, exames de sangue, além do levantamento de sintomas sugestivos. Outro ponto levado em consideração é o aspecto familiar. ‘‘O ideal – e há planos para isso ocorra –, é fazer o levantamento dos pólens presentes na nossa região, mas a implantação deste projeto ainda está sendo estudada’’, revela a alergista.
  Quanto aos tratamentos, Heloísa esclarece que eles podem ocorrer de duas maneiras. Com medicamentos de uso preventivo e contínuo e em alguns casos a aplicação de vacinas, método conhecido como imunoterapia.
  O médico Miguel Alberto Piccirillo, também especialista em alergias, destaca que a alergia ao pólen não é a mesma que a de flores, isso, muitas vezes, confunde quem busca por auxílio profissional. ‘‘Alergia ao pólen normalmente pode ser respiratória, já com relação às plantas você terá reações ao contato com elas, algumas dão reação quando ingeridas. Há pessoas que por terem alergia no nariz, no pulmão, apresentam intolerância ao perfume’’, exemplifica.
  O profissional elenca como cuidados para amenizar o problema evitar sair nos dias de muito vento. Caso use carro ou ônibus, manter a janela fechada e usar óculos. ‘‘Sempre vão existir os sintomas, mas com os tratamentos o alérgico leva uma vida normal’’, tranquiliza.

mockup