Quando a ciência não explica
Muitos adeptos da pesquisa psi fizeram um longo percurso acadêmico antes de encarar a dimensão do desconhecido. São mestres, doutores e pós-doutores que, em determinado momento da vida, simplesmente perceberam as fragilidades da metodologia científica. Entre eles há quem tenha, inclusive, estreitado relações com a espiritualidade.
''Os cientistas vão me considerar apenas um crente. Mas me sinto confortável ajudando as pessoas dessa maneira'', afirma Mário Sérgio Silveira, diretor do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro. Participante de uma das mesas redondas do Encontro Psi, ele relatou casos em que a medicina e a mediunidade trabalharam juntas em favor do paciente.
Como o da jovem que foi abusada sexualmente, entrou em depressão e começou a ouvir ''vozes de comando''. As mensagens eram claras: ela devia se matar. Por meio de um médium, Silveira conversou com a ''voz'' e a convenceu a deixar a moça em paz. ''A relação entre espiritualidade e saúde é importante e deve ser melhor investigada'', diz o psicólogo.
Pela terceira vez no encontro, o engenheiro e parapsicólogo pernambucano Jalmir Brelaz também narrou um caso semelhante. Em Recife, um psiquiatra estava às voltas com uma paciente em estado ''robotizado''. Na porta do hospital, foi abordado pelo vigia, que afirmou ser médium e aconselhou um tratamento espiritual para a mulher.
O médico, que é casado com uma mãe de santo, acatou a sugestão e levou o problema a um terreiro. Por telepatia, ou algo parecido, a paciente foi curada. ''Juntos, o psiquiatra, o vigia e um médium da umbanda enviaram sugestões positivas para desfazer as mensagens negativas que ela estava recebendo de alguma entidade'', acredita Jalmir, presidente do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas.
Longe de ser um especialista no assunto, o psicólogo José Facion, professor da Faculdade Internacional de Curitiba, está mais para cético do que para crente. Mesmo assim, aceitou o convite para participar do encontro. Para ele, as evidências científicas não são suficientes para descrever por completo o fenômeno do comportamento humano. ''Além do mais, acredito que 99% dos trabalhos de mestrado e doutorado são um lixo, porque todo o pesquisador que levanta uma hipótese quer que ela seja confirmada''.
Mas Facion também faz o papel de ''advogado do diabo''. ''Quando você não tem explicações para um fato, entra no campo da interpretação, onde vale tudo. E é aí que mora o perigo'', alerta. (O.G.)





