Qualificação abre as portas do emprego
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sábado, 30 de abril de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Desempregada, com três filhos pequenos e recebendo ajuda da família para sustentar a casa, Kátia Néia dos Reis, de 36 anos, decidiu apostar em um curso de costura para conseguir trabalho. ''Estou em busca de um emprego em uma carreira que é considerada sólida'', avalia.
Kátia relata que teve dois empregos, mas nos dois casos abandonou o trabalho para se dedicar à família. Agora separada, ela revela que recebe ajuda financeira dos parentes para conseguir se manter e sustentar os três filhos. O curso básico de operador de máquina de costura industrial, R$ 220, também está sendo financiado pela família. ''Eles (familiares) estão investindo em mim.''
Se depender da dedicação e da expectativa de crescimento do número de vagas na indústria do vestuário em Londrina, Kátia sairá do curso empregada. De acordo com o gerente da Agência do Trabalhador, Mauro Vieceli, o setor de vestuário na cidade será um dos que mais irá abrir vagas. Nos últimos 12 meses, a indústria de transformação, da qual faz parte a de vestuário e metal-mecânica, cresceu 5,72%. Esse crescimento foi pouco menor do que o dos dois setores que mais empregam na cidade, o de serviços com 7,24% e o de comércio com 8,9%. Nos três primeiros meses deste ano, Londrina tem um saldo positivo de 2.008 vagas, 283 a mais do que o resgistrado no mesmo período em 2004.
Vieceli explica que a indústria metal-mecânica usa muita tecnologia e emprega poucos trabalhadores. Na indústrial têxtil, há necessidade de muitos profissionais na empresa. Nesses dois casos, menciona, o profissional precisa ter conhecimentos técnicos específicos para atuar nas funções. ''Há muita demanda de trabalhadores para a indústria metal-mecânica e têxtil. Conseguimos preencher essas vagas sofrivelmente por falta de trabalhadores qualificados'', revela.
A professora do curso de costura, Edméia Tobias Rosa, acredita que o trabalhador deve ter oportunidade para se qualificar, além de possuir a consciência da relevância da qualificação. ''A pessoa precisa se dedicar, caso contrário não conseguirá inserção ou não irá se manter no mercado'', avalia.
Mas o curso do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ainda não consegue atender a demanda exigida pelas fábricas e para suprir a falta de mão-de-obra qualificada alguns empresários abrem cursos na própria empresa.
O gerente de RH de uma indústria de facção de Londrina, Sivaldo José Nunes Porto, explica que a empresa mantém uma curso para qualificar principalmente costureiras para a rotina da produção. ''Pegamos normalmente menores aprendizes para qualificar e pagamos o piso de auxiliar, que é de R$ 330, durante os cerca de seis meses que permanecem em treinamento'', destaca.
O ideal, observa Porto, seria que os trabalhadores já chegassem ''dominando a máquina e o processo industrial''. A empresa tem cerca de mil funcionários e cerca de 40 estão passando por treinamento. (Colaborou Luciano Augusto)


