Qual sua relação com a literatura de Dalton Trevisan?
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Dalton Jérson Trevisan nasceu, em Curitiba, no dia 14 de junho de 1925. Tem 83 anos. "Sempre faço a seguinte comparação. A Greta Garbo era uma atriz maravilhosa, mas parou aos 40 anos. O Dalton já passou dos 80 e não pára. Quem me dera ter essa disposição com essa idade." O comentário é do fotógrafo Oswald Dias de Siqueira, o Tiomkim, 52 anos. Ele conhece Trevisan, há mais de 20, mas o contato com a literatura do mestre do conto é anterior. Foi com o livro "O Vampiro de Curitiba", quando ainda era adolescente. "Fiquei encantado. Achei que era meio proibido, obscuro." A obra segue a favorita do fotógrafo. Há poucos dias, em um sebo no Largo da Ordem, ele encontrou uma edição de 1965, uma das primeiras do livro. Um amigo que também é fã do escritor propôs comprar a raridade por R$ 200,00, mas Tiomkim diz que não vende por valor algum. "Greta Garbo teve medo de enfrentar o futuro e fracassar. Já passou o século XX e Dalton continua produzindo. É o grande contista de diversas épocas da nossa cidade."
Aos 17 anos, Estevan Silvera leu o romance "A Polaquinha", o único escrito por Trevisan. "Foi excitante -tanto sexualmente como literariamente- descobrir um texto que vai tão a fundo", comenta. Durante a faculdade de Letras, concluída no final dos anos 80, Silvera, que não revela sua idade, mas conta que nasceu na década de 1970, estudou a obra de Trevisan. "Você consegue ver uma outra Curitiba, ter um olhar aprofundado sobre a cidade e as relações humanas." A paixão pela obra é tamanha que já realizou oito curtas-metragens baseados em textos do escritor. "Não são adaptações, mas transposições cinematográficas. Sou absolutamente fiel ao texto." O último deles, "Em busca de Curitiba perdida", finalizado este ano, em 35 mm, foi recentemente selecionado para um festival de Fortaleza. Nenhum deles têm mais de 15 minutos. "O trabalho dele é para curta, não para longa-metragem. É como ele diz: do romance ao conto, do conto ao haicai."


