Qual é a Curitiba do teu teatro?
João Luiz Fiani, 45, responsável pela Cia. Máscaras de Teatro, parte de uma idéia que atribui ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht para chegar às discussões universais: falar da própria aldeia. ''Nos nossos espetáculos, falamos desde o tubo do Ligeirinho e a Rua das Flores aos tipos da cidade, como o Oil Man.'' O ator e diretor faz, porém, uma ressalva importante. ''Tratamos desses assuntos sem denegrir a imagem da cidade, até porque ela nunca esteve tão bem, especialmente em relação à cultura'', diz. Ele já atuou em duas montagens baseadas em textos de Dalton Trevisan e dirigiu outras duas. Para breve, planeja levar mais duas obras do escritor para os palcos. Atualmente, sua companhia tem dois espetáculos em cartaz que trazem textos de jovens escritores da cidade: ''O diabo é meu amigo'', de Eduardo Diório Jr. e ''Habitués'', de Alexandre França.
Quando incursionaram pelo País com a peça ''Aperitivos'', a segunda montagem da Pausa Companhia de Teatro, em 2004, seus integrantes foram questionados do por que não apresentarem o texto de um escritor brasileiro. ''Ficamos com essa pergunta na cabeça. Mas nos demos conta de que buscamos algo universal, que fale para o homem de hoje'', comenta Renata Hardy, 33, atriz e produtora da companhia. No último espetáculo do grupo, todo formado por curitibanos, levaram aos palcos ''Mez da Grippe'', do paulista radicado em Curitiba Valêncio Xavier. ''A identidade curitibana não é algo sobre o qual a gente realmente se debruce. Quanto à escolha de Valêncio, a questão principal não foi por ele ser um escritor daqui, mas por se tratar de um texto muito contemporâneo'', diz. O próximo projeto da Pausa envolve uma pesquisa com as crônicas de Machado de Assis.





