A Universidade Federal do Paraná (UFPR) espera chegar aos 100 anos mais próxima do público que habita o Centro de Curitba. Há alguns anos teve início o esvaziamento acadêmico nesta região. Os cursos que antes existiam no prédio central da universidade, na Praça Santos Andrade, foram transferidos para outros campi em bairros mais afastados. Com isso, perdeu-se parte da convivência dos moradores com a intelectualidade universitária.
Para reverter essa situação, foi criado o ''Projeto Campus Central: Uma Idéia Para Curitiba'', idealizado pelo professor Emmanuel Appel, do Departamento de Filosofia da UFPR. Ele pretende criar um ''quadrilátero cultural'' na área que vai do prédio histórico da universidade, na Praça Santos Andrade, até a Praça do Expedicionário (onde estão o Instituto Goethe e a Cultura Inglesa) e do Colégio Estadual do Paraná até a Igreja da Guadalupe.
Nesse espaço, já existem várias instituições históricas e culturais, como Teatro Guaíra, Cine Luz, Teatro da Caixa, Museu do Expedicionário, Sesc, Instituto Goethe, Interamericano, Cultura Inglesa, além de livrarias, sebos, cafés e outros estabelecimentos que têm potencial para tornarem-se espaços para discussão e difusão cultural. ''Nossa menina dos olhos atualmente é o antigo prédio dos Correios, já foram feitas reuniões para ver como podemos aroveitar seus 4 mil metros quadrados que hoje estão desocupados'', conta Emmanuel.
A intenção do projeto é multiplicar os espaços públicos onde os universitários possam exercer seu papel crítico. Segundo Emmanuel, é preciso haver a reinserção acadêmica e cultural da universidade junto ao público que reside no centro da cidade. ''A presença da UFPR não é sentida pelos curitibanos à altura do seu capital simbólico'', aponta.
A iniciativa é apoiada pela Reitoria e pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar). Atualmente a idéia está em fase de articulação. Segundo Paulo Bracarense, diretor superintendente da Funpar. ''A universidade não pode fazer tudo sozinha, por isso utiliza sua expertise profissional para buscar parceiros capazes de capitalizar o projeto''.
De acordo com o professor Emmanuel, até o momento várias entidades já foram sensibilizadas, como a Fiep, ACP (através do projeto Centro Vivo), Sesc, Caixa Econômica, Unibanco, Banco do Brasil, Teatro Guaíra e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Os entusiastas da idéia esperam que em um futuro próximo sejam criados mecanismos fiscais, como a redução - ou isenção - de tributos municipais para atrair livrarias, sebos e outros segmentos de interesse para o quadrilátero cultural.
Até o momento, no entanto, não há previsão de quando nem como se operarão essas transformações. ''Ainda é uma carta de intenções, não há coisas práticas e imediatas'', conta Emmanuel. No dia 20 de agosto deste ano será feita uma grande apresentação do projeto para cerca de 420 entidades que ocupam a área. Até lá, é apenas uma ''idéia para Curitiba''.

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