Público exigente dá motivação ao trabalho
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Sid Sauer 
Entrei na Folha há cinco anos, a convite de João Milanez, durante visita a Campo Mourão. Não pensei duas vezes. Pedi demissão do emprego em que estava sem sequer saber se teria vantagens salariais. Cresci ouvindo falar da independência, da credibilidade e do compromisso com o Paraná da Folha e não poderia desperdiçar a chance.
Era outubro de 1993 e, logo de cara, me deparei com duas novidades. A primeira, como correspondente da região de Campo Mourão que passei a ser, foi trabalhar em casa. Até hoje há quem me chame de marajá por isso. Realmente, trabalhar dentro de casa tem lá suas vantagens e, confesso, teria dificuldades em voltar a me adaptar a um trabalho normal. Só quem trabalha em casa, no entanto, para saber que nem tudo são pérolas.
A segunda novidade foi trabalhar, pela primeiraz vez, com uma Redação totalmente informatizada. Numa época em que ainda não se ouvia nem falar em Internet, os textos feitos em Campo Mourão chegavam a Londrina por fax-modem em questão de segundos. Tudo muito mais fácil e ágil. Foi na Folha, portanto, que dei adeus às velhas máquinas de escrever e às laudas que tantas vezes foram para o lixo devido aos erros datilográficos.
Como correspondente em Campo Mourão, minha missão é cobrir os 25 municípios da região, com seus mais de 400 mil habitantes. É claro que essa área às vezes acaba sendo expandida. Que o diga o recente caso das bombas encontradas em torres de transmissão de energia de Furnas. Elas começaram em Nova Tebas, quase na divisa com Iretama, e acabaram parando em Pitanga, na divisa com Manoel Ribas.
Um dos fatores que mais motiva o trabalho é a exigência do público. Ele quer uma cobertura jornalística cada vez maior e mais precisa. Ao mesmo tempo, alguns acontecimentos acabam sendo gratificantes. Em Campina da Lagoa, por exemplo, o colégio estadual que leva o nome da cidade ganhou 12 aparelhos de TV e 12 videocassetes do governo do Estado depois que a Folha mostrou os projetos inovadores que estavam sendo implantados na escola.
Entre tantas e tantas matérias, entretanto, uma coisa nunca aconteceu: interferência da direção da Folha para que um ou outro assunto fosse ou não publicado. Talvez seja por isso que a independência e a credibilidade da Folha se mantém intocáveis.


