Na avaliação da publicitária Ana Hochheim, de 37 anos, não há salário que pague sua qualidade de vida atual. Por mais de uma década, ela atuou em várias agências de publicidade e emissoras de TV, com o firme propósito de se tornar uma bem-sucedida executiva no setor.
Conseguiu, mas o preço foi alto: muito estresse, noites mal dormidas e uma crescente pressão. Seu alívio era o curso de fotografia no Cine Foto Clube Bandeirante de São Paulo, que frequentava gratuitamente, graças ao amigo fotógrafo e professor Renato Ortis.
Ela conta que ganhou sua primeira máquina fotográfica aos 12 anos e, desde então, fotografava tudo o que via pela frente. Quando o trabalho excessivo começou a prejudicar seu casamento, resolveu dar um basta. ''Meu chefe na época foi o meu maior incentivador e sugeriu que eu corresse atrás do meu sonho.'' E foi o que ela fez.
Abandonou a carreira, tornou-se fotógrafa autônoma e hoje faz editoriais para revistas, books, cobre eventos, comercializa seu banco de imagens, além de um álbum fotográfico que conta a história dos casais. ''Estou extremamente feliz. Perdi algumas coisas, mas em qualidade de vida ganhei muito. Não tenho aquela rotina massacrante que acaba matando qualquer paixão. Faço tudo por prazer e o retorno financeiro acontece naturalmente.''
O excesso de trabalho também foi o que determinou a virada na vida da gerente de marketing Fabíola Toschi, de 30 anos. ''Sempre fui caxias. Trabalhava de 16 a 18 horas por dia. Para me policiar e sair mais cedo do trabalho, comecei a fazer um curso de culinária uma vez por semana. Gostei tanto que, nos finais de semana, punha em prática o que aprendia, convidando alguns amigos para provar.''
Fabíola conta que os elogios constantes a incentivaram a continuar. ''Após vários cursos, comecei a me questionar: por que não trabalhar para mim?'' E foi o que ela fez. Juntamente com o marido Ricardo Cisneiros, montou a Toschi & Cisneiros, ateliê de doces com visual moderno e criativo, e sabores fora do convencional.
Apesar de ainda não ter o retorno financeiro que tinha quando era gerente de marketing da Globo.com, onde ganhava mais de R$ 9 mil, ela diz que, em dois anos de vida, o empreendimento sempre deu lucro. Tanto que o marido também pediu demissão da agência de publicidade em que trabalhava para se dedicar ''full time'' à empresa do casal. ''Que ninguém pense que as coisas são fáceis'', ressalta Fabíola. ''Continuo trabalhando muito. Nos finais de semana, inclusive. Só que agora invisto meu tempo em algo que é meu. A satisfação pessoal é enorme, mas o empenho e dedicação também'', avisa.

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