Psicóloga questiona necessidade
A necessidade da cirurgia bariátrica é um dos questionamentos feitos pela psicóloga Mariana Lopes e pela professora Maria Lucia Bosi. Se os pacientes conseguiam emagrecer 40 quilos antes da cirurgia, porque não prosseguir com o programa de emagrecimento e evitar uma técnica invasiva e arriscada?
Eles fazem o spa e no meio do caminho ouvem que a cirurgia, ou seja, o poder médico, cuidará do resto, transferindo a autonomia do obeso para o médico, tornando-o dependente dessa técnica de salvação. Em nossas pesquisas, conhecemos pessoas que emagreceram 40 quilos com terapia, dietas e outras práticas. Por que temos que operar pessoas sem lhes dar uma chance de um tratamento menos arriscado?, pergunta Maria Lucia.
Ela diz que, se a cirurgia é indicada a obesos com risco de morte e complicações eminentes, como avaliar os pacientes que ficam três anos na fila e não apresentam esse desfecho? Mariana comenta que nesses três anos eles poderiam se submeter a técnicas alternativas. Para o chefe da equipe do Hospital de Ipanema, o cirurgião bariátrico Marco Antonio Leite, porém, o obeso que precisa perder 40 quilos deve ser operado, porque não vai emagrecer e se manter magro, mas sim continuar a engordar indefinidamente: Por que esperar que esse obeso chegue a 200 quilos? Os riscos serão maiores.
Para o psicanalista e psiquiatra José Renato Avzaradel, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, a obesidade é o sintoma de um distúrbio emocional na relação da pessoa com o mundo e com sua estrutura psíquica. A compulsão alimentar deriva de uma ansiedade que pode ser trabalhada pela psicanálise. Essa ansiedade resulta de distúrbios primitivos que remontam à relação do bebê com a sua mãe em busca da satisfação de sua fome. Se o compulsivo entende a origem de sua ansiedade poderá controlar seu distúrbio. O tratamento psicanalítico, porém, é longo e deve ser associado a dietas prolongadas e à prática de exercícios regulares, diz. (A.O.G.)





