Prospecção mostra
cinco segmentos
com bom potencial
Arquivo FolhaAbílio: município já conseguiu sair da inércia
Londrina inaugura um novo ciclo de desenvolvimento, segundo apontam os consultores que elaboraram o Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI), encomendado pela prefeitura no início da gestão para detectar os caminhos mais viáveis do município dar o ‘‘start’’ de um novo ciclo de expansão. A prospecção mostrou cinco segmentos potenciais: eletroeletrônico, alimentício, farmacoquímico, têxtil/confecção e autopeças.
O estudo apontou a direção e os resultados começam a surgir. O grupo Beta-Sul, codinome usado por uma metalúrgica que está transferindo a sua fábrica do ABC para Londrina, está em fase final de obras. Outras indústrias, como a coreana Kumho, de pneus, está a caminho. O investimento faz brilhar os olhos dos londrinenses. As autoridades estimam o crescimento da arrecadação e vibram com a possibilidade de vagas no mercado de trabalho. Nomes de peso no cenário internacional, como Suzuki, têm enviado comitivas de técnicos e diretores para avaliar as potencialidades da cidade.
É preciso mesmo correr para recuperar o tempo perdido. Apesar de Londrina figurar entre as 10 maiores cidades brasileiras fora do circuito das capitais, é a 29ª em arrecadação de impostos. Entre janeiro e março deste ano, registrou o ingresso em seu caixa de R$ 24,7 milhões com ICMS, dos quais apenas R$ 1,9 milhão gerados pelo setor industrial - parcos 8% do bolo. Nesse mesmo período do ano passado, a arrecadação geral havia sido de R$ 25 milhões, sendo que R$ 3,6 milhões recolhidos por indústrias (14% do total). Retrato claro da retração de um setor que já mostrava desempenho acanhado.
Os números da Receita Estadual no primeiro trimestre desse ano mostram também a extrema dependência do município em relação a algumas poucas empresas; dos R$ 3,6 milhões arrecadados junto às indústrias, 93,5% foi recolhido pelos 10 maiores contribuintes. Em um universo de 1.419 indústrias, isso equivale a dizer que as 1.409 pequenas fábricas restantes responderam por somente 6,5% do ICMS do setor.
A expectativa agora é de que, com a chegada de novas indústrias, esse bolo seja maior e melhor dividido. Além de novas grandes empresas somarem-se às já instaladas, a previsão é de que indústrias de menor porte, as chamadas satélites, peguem carona com as grandes e puxem os setores comercial e de serviços, carro-chefe da produção londrinense nos últimos anos.
Abílio Medeiros Jr., presidente da Associação Comercial e Industrial (Acil), diz que Londrina já fez a parte mais difícil da tarefa de mudar o seu desenho econômico: sair da inércia. Para ele, o modelo de atração de grandes indústrias justifica-se principalmente pelo fator multiplicador que isso ocasionará.
A outra frente em que se tem que investir, agora, segundo Medeiros, é a de apoio às empresas já instaladas. ‘‘O esforço para atrair uma nova indústria é muito maior do que o de manter uma que já esteja produzindo’’, lembra. (R.M.)

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