Adotado como artimanha para conquistar a opinião pública e atrair investimentos, o marketing é uma forte tendência na política urbana de fim de século em todo o mundo. A constatação é da arquiteta e consultora em planejamento urbano Fernanda Ester Sanchez, autora do livro ‘‘Cidade Espetáculo: Política, Planejamento e Citymarketing’’. Ela aponta Curitiba como a cidade brasileira que há mais tempo segue essa tendência.
Para ela, o trabalho de marketing desenvolvido na capital paranaense é responsável por várias conquistas - mas o problema é que muito do que aparece nas propagandas oficiais é mito. ‘‘Desde a década de 70, com o desenvolvimento de projetos na área de transporte coletivo e urbanismo, Curitiba passou a ser conhecida por seus ótimos indicadores de qualidade de vida, mas não se discute como mantê-los’’, alfineta.
Fernanda acredita que, hoje, a prioridade do governo municipal é preservar o status de cidade modelo. ‘‘Há uma falsa preocupação com o bem-estar dos cidadãos para convencê-los a legitimar todas as decisões dos grupos dominantes, sem que haja uma discussão sobre as implicações de tais decisões’’. Ela aponta como temas que deveriam ser discutidos o impacto ambiental e social da instalação de grandes indústrias em Curitiba e a forma como a cidade está sendo preparada para essa nova realidade.
Ao contrário do que acontecia nos anos 70, os atuais projetos da prefeitura já não têm como objetivo mudanças significativas na estrutura da cidade. ‘‘Nos anos 90, a administração de Curitiba tem uma nova visão voltada exclusivamente para a imagem de uma cidade que está sempre inovando’’, diz. O resultado é a apresentação de projetos de vida curta, que acabam em si mesmos.
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