''Foto instantânea, foto para documento, identidade, carteira de trabalho. Aqui a foto é rápida''. A expressão ''ganhar a vida no grito'' pode ser levada ao pé da letra por quem passa pelo calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba. De farmácias a lojas de calçados, de restaurantes a fotos instantâneas, é cada vez mais comum a figura do divulgador, profissional que utiliza o potente gogó (ou microfone) para anunciar produtos e serviços para quem passa na rua.
Para Joelson Rosário, 45 anos, conhecido como ''Jhol, o cara da foto'', esse tipo de divulgação foi o que salvou sua loja de fotos 3X4 da falência há seis anos. Hoje ele reveza com uma colega a divulgação do próprio trabalho. ''Tem que caçar as pessoas aqui (na rua) senão elas não vêm'', observa. Para Jhol e outros pequenos comerciantes de galerias e shoppings da Rua XV, essa acaba sendo a única forma de divulgação possível, já que em muitos desses locais não é permitido colocar placas. Para chegar até o freguês, só mesmo buscando no calçadão.
Na mesma quadra de Jhol existem vários outros divulgadores. Eles podem ser divididos em dois grupos básicos: os que utilizam microfones e outros equipamentos de som, e aqueles que tem apenas a prória voz como ferramenta. Manoel Augusto de Oliveira, 31, pertence à primeira categoria. Com uma voz suave ele anuncia um shopping inteiro, convocando os populares a conhecerem suas lojas, e as ''ofertas sensacionais'' do local. Entre uma ''promoção imperdível'' e outra ele anima os pedestres com músicas. ''Tem que ser locutor e animador'', conta ele, cuja performance se assemelha à de um radialista.
Na segunda categoria de divulgadores está Johl e aqueles que anunciam restaurantes. Eles tem à disposição apenas o gogó que utilizam para repetir à exaustão uma mesma frase anunciando o produto. Domingos Costa Leite anuncia o mesmo restaurante há cinco anos. ''Cheguei pra trabalhar como atendente e virei divulgador'', lembra. Segundo ele, o sucesso de uma boa divulgação está no bom humor. ''Às vezes o cara acaba voltando por conta da gente aqui da rua'', diz. Seu roteiro inclui a divulgação do cardápio e do preço da refeição. Mesmo simples, esse serviço tem que ser bem feito. ''Se eles chegam lá e não tem o prato que eu anunciei eles voltam e me cobram'', conta.
A maioria desses profissionais não são locutores, tampouco dispõe de alguma técnica para executar essa função. Manoel Oliveira conta apenas que fez um curso de dicção vocal. ''Aprendi sozinho vendo comerciais e o povo na rua'', diz. Há seis anos ele era era promotor de vendas em uma loja na cidade de São José dos Pinhais quando viu pela primeira vez um divulgador em ação. Ficou impressionado. ''Eu fui perguntar pra ele o que eu precisava pra fazer aquilo'', conta. Diante do interesse, o divulgador convidou Manoel para substituí-lo em um trabalho, foi aí o início de sua nova carreira.

mockup