Promovendo a independência Carolina Avansini Elas fazem o trabalho que ninguém quer. As varredoras de rua – também conhecidas como margaridas – trabalham para limpar a sujeira que as pessoas deixam pela cidade. São cerca de 50 mulheres contratadas pelas frentes de trabalho da Prefeitura Municipal de Londrina que limpam toda a região central por um salário médio mensal de R$ 280. Atualmente, os carrinhos e vassouras também são manobrados por homens – os garis – que não encontraram melhores oportunidades de emprego. Neuza da Silva, 42 anos, começou a varrer ruas 13 anos atrás. ‘‘Resolvi trabalhar para ser independente, parar de pedir dinheiro para meu marido. Às vezes, eu pedia e ele não tinha, por isso resolvi ganhar meu próprio salário’’, explica. Mãe de três filhos, conta com a ajuda da caçula, de 13 anos, para cuidar da casa enquanto ela está fora. ‘‘Mas é claro que sobra muita coisa para eu fazer’’. O dinheiro que ela recebe é utilizado para comprar móveis e outros utensílios domésticos, além de roupas para a filha adolescente. Para aguentar a rotina puxada de todos os dias, toma um café reforçado que a prefeitura oferece todas as manhãs e almoça a comida que ela mesma prepara antes de sair de casa. ‘‘Tem que ser arroz, feijão, carne e salada, senão a gente não aguenta’’, ensina. E ao contrário do que muitos possam achar, Neuza gosta da profissão. ‘‘Me divirto vendo as coisas que acontecem no Calçadão. Já recebi propostas para trabalhar em firmas, mas não aceitei. Gosto de ficar ao ar livre, vendo pessoas diferentes’’. Apesar do entusiasmo, ela reclama da rotina. ‘‘Acabo de varrer uma área, as pessoas sujam e eu limpo de novo, no mesmo lugar. E assim vai durante todo o dia’’.