Promoção pessoal ou propaganda eleitoral?
A Reportagem da FOLHA pediu à pesquisadora em Comunicação e Política Luciana Panke, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para analisar parte do que já existe de publicidade feita por quatro pré-candidatos à Prefeitura de Curitiba: Beto Richa (PSDB), Carlos Moreira (PMDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Ratinho Jr. (PSC). As quatro peças publicitárias analisadas foram um ''busdoor'' do Beto, um impresso do Moreira, o ''blog'' da Gleisi e um ''outdoor'' do Ratinho Jr. Nenhuma das quatro peças publicitárias, até agora, foi condenada pela Justiça Eleitoral em definitivo (quando não cabem mais recursos contra a decisão). Veja os principais trechos da análise:
''Antes de partir para a análise das peças dos quatro candidatos à Prefeitura é importante ressaltar a diferença entre a mídia utilizada. Temos um 'blog', um 'outdoor', um 'busdoor' e um jornal dirigido. No primeiro caso, a internet é usada como mídia de reforço e, por ser especificamente um 'blog', serve como termômetro para medir o perfil do possível eleitor. Quem acessa determinado site é por busca individual ou interesse prévio. O 'outdoor' se configura uma peça mais invasiva, pois está nas ruas, sem chance de o eleitor não perceber. O mesmo se aplica ao 'busdoor'. Por último, o jornal do PMDB é uma forma de comunicação dirigida aos partidários e simpatizantes, não destinada, a princípio, a um eleitor comum.''
OUTDOOR DO RATINHO JR.
Das quatro peças analisadas, três possuem uma característica presente na campanha eleitoral que é a personalização. A mais evidente é a imagem do Ratinho Jr. em primeiro plano no outdoor, com fisionomia que indica conquista e o terno para reforçar a imagem de trabalho. Ao lado, vemos também a ênfase na grafia do nome em tamanho maior sob o fundo vermelho. Interessante observar, também, que o texto Metrô. Curitiba no 1º mundo pode levar a uma leitura de que até então a cidade não se caracteriza como um local de qualidade. Por outro lado, pode remeter ao deputado federal a autoria do projeto, sem considerar o histórico das discussões sobre o tema.
BLOG DA GLEISI
O terceiro exemplo de personalização é encontrado no blog da Gleisi. O objetivo de um blog é justamente expor as opiniões do seu autor, mobilizar o diálogo entre os visitantes e escapar da mídia tradicional. Não teria, nesse caso, como não ser um veículo personalizado. Interessante observar que entre os links possíveis (como perfil, galeria de fotos e contato) está disponível uma enquete, com questões que abordam violência urbana e a presença da mulher em cargos de liderança. As respostas servem como elemento balizador dos discursos posteriores no momento da campanha em si. Na página inicial, os textos estão redigidos em primeira pessoa, o que pode dar a impressão de conhecer o redator, no caso, a própria Gleisi. A identidade visual também confere harmonia à linguagem petista com a utilização do fundo vermelho e parte central em branco. Por outro lado, a logomarca do partido não está em evidência, mas há uma matéria sobre o presidente Lula, evidenciando o apoio dele.
IMPRESSO DO MOREIRA
O segundo exemplo de personalização é o jornal do PMDB com o perfil do candidato do partido, propostas e depoimentos com os apoios de outras lideranças em toda a edição. Estes elementos estão presentes em toda campanha eleitoral para demonstrar a qualificação profissional do candidato e os depoimentos para reforçar o apoio político necessário para uma boa gestão. Os testemunhais também são usados como forma de identificação com o eleitor, que pode tender a votar em um candidato que Seu deputado ou líder reconhecido apóia. É um veículo dirigido, mas que anuncia a candidatura e as propostas preliminares.





