Projetos demoram para sair do papel
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Lucinéia Parra 
A falta de planejamento e de uma política de continuidade dos projetos municipais das últimas administrações contribuem para que, a cada ano, novos empreendimentos que seriam de grande importância para a comunidade sejam adiados. Em alguns casos, as obras são concluídas mas demoram para entrar em funcionamento.
Em operação desde de 25 de abril, o Aeroporto Regional de Maringá é um dos recordistas entre as obras que mais demoraram para sair do papel. A desapropriação da área, um terreno de 72 alqueires, localizado na saída para Campo Mourão, foi feita en 1985, na primeira administração do ex-prefeito Said Ferreira. As obras só tiveram início nove anos depois, em agosto de 1994, quando Ferreira voltou à prefeitura. O novo aeroporto foi concluído em agosto de 2000 e entrou em operação há menos de um mês.
Outra obra que depois de concluída ficou anos sem uso foi o prédio que abrigaria o Cefet, que teve início em novembro de 1995 e foi concluída em outubro de 1997. No entanto, com a falta de interesse do governo federal em abrir novas unidades do Cefet, o empreendimento permaneceu fechado por mais de dois anos. Somente em março do ano passado a estrutura física foi aproveitada para abrigar o Centro Tecnológico de Maringá, que está funcionando através de uma parceria entre a prefeitura e Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Além da falta de compromisso com o projeto original e de prejuízo à população que deixa de ter acesso aos programas para os quais as obras são destinadas, o atraso nas construções de grande porte e com o uso do dinheiro público também causam transtornos aos moradores. Um exemplo disso foi a obra do viaduto no cruzamento das avenidas Colombo e Guaipó, que teve início em dezembro de 1996 e foi concluída em outubro de 2000. As constantes paralisações da obra geraram inúmeros protestos da população.
A Maternidade de Maringá é outro exemplo da falta de planejamento até mesmo para obras prioritárias. Pronta desde abril do ano passado, a maternidade só deve entrar em funcionamento em julho. A obra teve início em 1998 e custou R$ 6 milhões. Seu funcionamento é considerado urgente diante da realidade local. Nos últimos anos, por falta de leitos disponíveis do SUS nos hospitais particulares, Maringá se tornou conhecida como a cidade que exporta suas gestantes na hora de ganhar os seus bêbes. Neste caso, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é a vilã da história, já que a administração municipal está impedida de contratar novos funcionários porque corre o risco de ultrapassar o limite da folha de pagamento.


