Projetos dão caminhos para menores
Atendendo atualmente 150 crianças e adolescentes carentes de 7 a 14 anos, a Escola-Oficina Hugo Gonçalves, localizada na área central, tem-se firmado como instrumento de um dos principais programas municipais desenvolvidos em Cambé no setor social. Oferecendo várias oficinas de iniciação ao trabalho, como padaria e marcenaria, a entidade tem como metodologia educar a criança através do trabalho.
Mantida pela APMI, a escola-oficina foi inaugurada em dezembro de 1992 e atende meninos e meninas em situação de risco ou que foram retirados das ruas. Em um período eles frequentam o ensino regular, e em outro ficam na escola, participando de uma das oficinas - marcenaria, padaria, costura, artesanato, serigrafia, horticultura, jardinagem e cozinha, e aprendendo um caminho.
Todo o trabalho feitos nestas oficinas é vendido, e o dinheiro arrecadado é dividido: 30% fica na entidade e 70% é destinada às crianças em forma de uma bolsa-aprendizado. Segundo a presidente da APMI, Maria de Lourdes Borsato Garcia, o valor não é fixo, pois depende do volume das vendas. Em média, cada criança fica com R$ 20,00 por mês.
Apesar de o programa ser voltado praticamente para o trabalho, a socióloga da associação, Deise Luci Minto Jacomel, ressalta que a escola-oficina não tem o objetivo de ensinar uma profissão às crianças. A meta principal, observa, é resgatar esta criança e transformá-la em cidadã. Na escola funcionam também as chamadas oficinas de apoio pedagógico, como musicalização, educação física e assistência pedagógica. A gente vê o fruto do trabalho quando olha uma criança que vivia na rua e hoje está estruturada, afirma.
AproveitamentoOutro programa que também envolve crianças e adolescentes carentes é o Projeto Piá, instalado no Jardim Novo Bandeirantes. São 150 meninos e meninas de 7 a 14 anos que frequentam as oficinas de expressão, onde são desenvolvidas atividade diversas, como educação física, e concedidos acompanhamento pedagógico e aulas de dinâmica para socialização.
Fazem parte do programa também aulas de teatro e musicalização. Grupos de teatro formados pelas próprias crianças já apresentaram peças em escolas, igrejas e festas. O objetivo é tirar o menino de rua e possibilitar um novo projeto de vida para ele, observa a psicóloga da APMI, Arlete Bernardi Bertoletti.
O projeto teve início há dois anos e, segundo a psicóloga, os resultados já são bastante visíveis. A grande maioria já tem resultado satisfatório na escola e já não temos mais a evasão escolar, relata. Ela explica que no início havia o problema de frequência dos meninos. Mas hoje eles não querem sair do projeto, afirma.
A exemplo da escola-oficina, o Projeto Piá também funciona em meio período. A presidente Lourdes Garcia observa que um dos requisitos para participar do programa é a criança estar matriculada em uma escola regular. (L.O.)





