Projeto orienta carroceiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de fevereiro de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Diariamente você deve se deparar com diversos carrinheiros que recolhem lixo reciclável pela cidade. Muitos usam cavalos para puxar a carroça. Talvez você possa reclamar que eles atrapalhem o trânsito ou fazem muita sujeira pela cidade. Além disso, também é possível pensar que o animal é mal tratado pois está magro ou abatido. Em vez de apenas ficar pensando nisso, uma equipe de profissionais resolveu cuidar desses animais. Eles realizam diversos tratamentos para facilitar a vida dos cavalos, que chegam a puxar entre 300 e 400 quilos de papel por dia.
Há oito anos a Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) realiza um projeto que trata os cavalos dos carrinheiros de Curitiba e Região Metropolitana. O atendimento começou em uma região próxima da Vila das Torres, onde existe grande número de cavalos usados para esse fim. Hoje o projeto funciona no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), localizado no Canal do Rio Belém, 3, no Guabirotuba. Até hoje foram cadastrados 1.600 animais. "Houve uma melhora grande na maneira dos carrinheiros cuidarem dos cavalos", explica o professor do curso de medicina veterinária e diretor da fazenda e do hospital de grandes animais da UTP, Antônio Carlos do Nascimento.
Um cavalo vive aproximadamente 20 anos. As fêmeas geralmente engravidam uma vez por ano. A vida útil de um animal como este gira em torno de 12 anos. Se bem cuidado, pode chegar a trabalhar até mais que isso. O trabalho realizado pelos profissionais atende entre 20 e 25 cavalos por mês. Já foram até 30 por dia, mas para ser uma ação mais adequada, foi colocado um limite de seis por dia. Por lá já passaram cavalos baleados, queimados e esfaqueados. Sacrificar um animal só quando ele aparece com fratura em um osso longo.
Lá eles recebem as vacinas necessárias, curativos, aplicação de vermífugo e trocam as ferraduras. "Como eles andam em piso abrasivo, o desgaste do casco é grande. Andar sem ferradura durante um dia inteiro pode desgastar todo o casco e deixar a pata do animal no vivo", explica Nascimento. Com isso o cavalo pode até morrer. Mas não basta aplicar a ferradura. Isso deve ser feito com cuidado. Se for colocada de maneira errada pode fazer com que o cavalo pise torto.
Nascimento explica que existem três tipos de carrinheiros. Há os que vieram do meio rural e já sabem como tratar um animal. Também existe o carrinheiro que pensam na saúde do animal para poder render mais com isso. E também os que roubam cavalos e locam o animal para trabalhar também no período noturno. Desta maneira o cavalo é utilizado até morrer. Esses também não alimentam adequadamente o animal - geralmente comem capim e restos de feira.


