Projeto leva oficinas de jornalismo, cinema e fotografia
O projeto ''Entre Luzes e Sombras - Adolescência Auto-Retratada: O Universo do Adolescente Infrator Relatado em Texto e Imagem'' partiu de iniciativa de três alunos de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Élida Oliveira, Rafael Bonfim e Luiz Ronaldo Vaca, atualmente no último período. A experiência, que envolve oficina e produção de cinema, jornalismo e fotografia, rendeu frutos e chamou a atenção da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), que financia o curta-metragem do trio com bolsa no valor de R$ 300 mensais.
''A idéia inicial era de levar jornalismo onde a mídia não retrata, em locais como hospital psiquiátrico, prisão ou um centro de socioeducação. Esse pessoal fica recluso, à margem da sociedade, e o jornalismo não chega lá'', justifica Élida, 24 anos.
Foram 11 meses dedicados ao projeto, que resultou em um livro, com nove adolescentes contando as próprias histórias, ilustradas com várias das 108 fotos tiradas pelos próprios garotos do Centro de Socioeducação da Fazenda Rio Grande. O documentário foi realizado paralelamente durante esse tempo, duas vezes por semana, das 9 às 11 horas. ''Eles mesmo escolheram os personagens e realizaram as entrevistas'', relata Rafael, de 24 anos.
A conclusão acabou mudando um pouco a visão do trio sobre a sociedade. ''A gente percebeu que a reinserção de alguém que cometeu um delito é algo mais complexo do que se imagina. O ambiente próximo ao crime, a desestrutura familiar, a evasão escolar são difíceis para esses adolescentes'', explica Élida. ''A grande dificuldade deles quando saem é serem identificados como ex-internos'', completa.
Para Rafael, o projeto serve como reflexão para todos. ''Eu tirei duas grandes lições. Primeiro, aprendi muita coisa sobre como o tempo passa, a relatividade do tempo para a gente e para eles ali. Outra foi sobre a estrutura emocional e psicológica dos meninos. A maioria ali perdeu parente ou escapou de ser morto. Não sei se teria estrutura para lidar com isso'', observa.
Segundo a terapeuta ocupacional do Centro de Socioeducação Fazenda Rio Grande, Débora Machado, projetos como os dos alunos da PUC ajudam muito esses adolescentes, que chegam muito confusos à unidade. ''Pelo próprio movimento deles, foi uma reflexão que fizeram'', relata. ''Foi bom para eles descobrirem novos horizontes.''
''Foi uma chance de um grupo ver uma coisa que normalmente não teria oportunidade, como câmeras de fotografia, roteiro de cinema, essas coisas'', destaca o educador social do centro, Claudio Hartmann Santo. ''Eles melhoraram um pouco o vocabulário, não estão falando tanta gíria. Tinham um certo preconceito com gente intelectualizada, mas agora não, amadureceram bastante. O Marcos até virou nosso repórter oficial, fez uma apresentação no Dia das Mães''. (C.Y.)





