A municipalização da saúde trouxe às pequenas prefeituras uma série de dificuldades. Além de contratar profissionais e oferecer toda a estrutura necessária ao atendimento, é necessário ainda manter em dia o estoque de medicamentos, que nem sempre são repassados com regularidade pelo governo estadual. Em alguns casos, a quantidade distribuída aos municípios não atende a necessidade da população. Em Cidade Gaúcha, a prefeitura encontrou uma forma de atender todos os moradores sem precisar gastar muito.
Há três meses está funcionando na cidade o Banco de Remédios, mantido pela própria comunidade. ''O projeto é simples, mas funcional'', explica o prefeito Milton de Oliveira Lucena (PSDB).
A cada três meses, uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde e um farmacêutico vão de casa em casa coletando sobras de medicamentos. ''É comum a pessoa comprar o remédio, usar dois ou três dias e parar'', diz o secretário municipal de Saúde Luiz Rogério Moacir. No Banco de Remédios, essas sobras vêm ajudando milhares de pessoas com baixo poder aquisitivo.
Os moradores de Cidade Gaúcha se conscientizaram da importância do programa e estão colaborando. No início foi difícil, mas agora muitos nem mesmo esperam a visita em casa e acabam encaminhando as sobras de medicamentos ao Banco.
A distribuição às pessoas necessitadas também é rigorosa. O cidadão tem que apresentar receita médica e não leva todo o medicamento de uma vez, mas apenas a quantidade necessária para um ou dois dias. Quando terminar ele pode solicitar o restante. Lucena esclarece que a medida ''evita desperdícios'' e todos acabam entendendo e colaborando.
O Banco de Remédios é totalmente estruturado. Possui sistema informatizado, onde é possível cadastrar todos os beneficiados. Fica registrado no Banco o dia em que foi distribuído o medicamento, o nome da pessoa e a quantidade que levou. Há um revezamento de atendentes para garantir que todos os necessitados sejam atendidos sem privilégios. ''Além disso, um fiscaliza o trabalho do outro para que a comunidade seja beneficiada'', diz o vice-prefeito Ideval Ferrarin.
Hoje, o Banco disponibiliza mais de 50 tipos de medicamentos e possui cerca de 80 mil unidades para distribuição. Esse estoque se esgota em no máximo três meses, quando será feita outra coleta. Lucena garante que depois da implantação do Banco de Remédios a prefeitura passou a registrar uma economia de 40% com as despesas na área da saúde.

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